quarta-feira, 2 de julho de 2008

Nume Teixeira e o jornalismo

Por: Juliana Antunes
Nume Teixeira, jornalista, chefe de edição, uma apaixonada pelo ser humano e suas histórias. Nume, uma gaúcha com muita bala na agulha conta um pouco sobre sua vida e experiências jornalísticas.

Nume, quando você pensou pela primeira vem em ser jornalista?
Na cidade onde eu morava (Santa Maria-RS), fui trabalhar em uma rádio, na época meu cargo era para limpar os Vinis. Quando a rádio ia ao ar, o locutor pegava um papel com recortes das principais matérias do dia para ler. Eu pensava comigo que aquilo não era jornalismo, e então eu precisava de alguma maneira mudar aquilo. Foi então que pensei em fazer jornalismo.

Hoje após alguns anos como jornalista, como você definiria sua profissão?
Encantadora, se eu não fosse jornalista não saberia qual profissão eu iria seguir. Vejo meus irmãos uns advogados outros engenheiros, todos muito bem de vida financeiramente, eis então que olho pra mim, não tenho muitos bens matérias, mas a bagagem de vida que tenho certamente eles não tem. Sou realizada por fazer aquilo que gosto, e hoje mais do que nunca eu posso dizer que acertei na mosca em escolher ser jornalista.

Sua trajetória incluiu jornais de peso no cenário nacional, como foi essa experiência?
Comecei no Zero Hora (RS), depois fiquei alguns anos no Diário Catarinense (SC) e cerca de 10 anos na Folha de São Paulo (SP). Todos esses jornais me trazem lembranças boas, digo que cada um foi um momento diferente. Lembro de muitas coisas marcantes. Quando comecei no Zero Hora lembro de como eu era inexperiente, mas os colegas sempre me ajudavam; fui crescendo como profissional, recebi a proposta do Diário. Fui morar em Floripa, não existia coisa melhor. Daí fui para a Folha, também foi uma experiência muito marcante, e hoje estou em Curitiba. Já deu para perceber que não paro quieta em lugar algum.

E hoje, o que você planeja para seu futuro?
Bom, eu já tive uma agência de notícias, na época eu não estava tão engajada nesse projeto mas hoje vejo que esta na hora de repensar e colocar em prática novamente. Tenho muita vontade de trabalhar com cinema e foto. Estou procurando algumas parcerias para colocar um projeto que envolve cinema em prática.

Como você “vê” esses novos jornalistas que estão entrando no mercado?
Tem muita gente boa, mas também tem muitos que procuram glamour e não o verdadeiro conceito jornalístico. Às vezes fico pensando, tem muito jornalista em começo de carreira que se vende. E não é bem assim, a essência da nossa profissão é ir em busca de ideais, da verdade e muitos por dinheiro deixam isso de lado. O jornalismo brasileiro tem que passar por uma reformulação.

Ao longo de sua carreira, qual ou quais foram as experiências mais marcantes?
Uma vez, era véspera de Natal, eu e um colega íamos fazer uma pauta sobre a data, mas não queríamos que fosse igual as demais que tivesse o seu “algo a mais”. Eis então que tivemos a idéia de nos vestir com roupas bem surradas e saímos em busca de um lar para passar aquela noite. Nós não nos identificávamos, tanto que os moradores pensavam que éramos mendigos. Em uma casa, de uma família bem humilde batemos e fomos recebidos como se fossemos da família. Sentamos a mesa com eles, brindamos, e quando fomos nos despedir, ai sim, contamos que éramos jornalistas. Foi uma surpresa, alguns choraram outros duvidaram. Mas uma coisa ficou guardada aquele dia, a compaixão para/com o próximo.

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