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sexta-feira, 14 de março de 2008

Panos quentes

Por: Juliana Antunes

De acordo com pesquisa realizada pelo Sindesp (Sindicato das Empresas de Segurança Privada) há cerca de 1500 empresas de segurança privada e mais de meio milhão de vigilantes regularmente empregados no Brasil, seria este número tão grande devido ao fracasso da segurança pública em nosso país? Para alguns pesquisadores, como Durkheim, o crime é um fato comum em qualquer sociedade. Mesmo sendo verdadeira, esta afirmação causa desconforto à população. Por que crimes são comuns, se temos quem nos proteja? Pois bem, mesmo se a segurança pública combatesse pelo menos 80% dos assaltos diários, ainda assim 20% sofreriam com a violência. Chegamos então à conclusão que a segurança pública não é 100% eficaz. Vítimas sempre existirão, mas caberá aos cidadãos reduzirem as possibilidades de assaltos e outros crimes.

Em Curitiba as empresas de segurança privadas, somam mais de 20, fora os seguranças terceirizados ou aqueles que trabalham como vigia por conta própria (chefes de seu próprio negócio). Neste meio há muito emprego informal, sem careteira assinada. Este é o caso dos seguranças de casas noturnas. Muitos trabalham para complementar o salário (o famoso bico), recebem por noite trabalhada e não possuem vinculo com o estabelecimento.

Pois bem, devido a esses casos de trabalho informal não foi possível à prisão em flagrante de um segurança no ultimo dia 16/02 um sábado. Um adolescente de 19 anos foi brutalmente espancado por um segurança em uma casa noturna, localizada na Avenida Batel. Rapidamente após bater no jovem o segurança fugiu do local sem deixar rastros. A casa noturna alegou não estar “a par” da situação e que naquele momento não haveria nenhum chefe de segurança para falar sobre o caso. Este não é o primeiro e nem será o ultimo caso, como informa o policial militar Campos. “Todo final de semana esta história se repete, vamos atrás do segurança acusado e cadê ele? Já não é a primeira vez que isso acontece, infelizmente a lei favorece os culpados, infelizmente” conclui o policial.

Na maioria das vezes esses seguranças de bares e casas noturnas não têm nenhum treinamento específico, por isso agem com tanta brutalidade. Existem cursos de defesa pessoal e alguns específicos para essas pessoas que atuam com público diferenciado. Para Cristiane Broza, segurança feminina de uma famosa casa noturna, na maioria das vezes o contratante não oferece nenhum auxilio. “Eles só perguntam se temos alguma experiência com o público e fica por isso mesmo” diz Cristiane. Em algumas casas noturnas não há qualquer norma para contratação dos seguranças, isto é, não são preenchidos formulários que oficializem o trabalho do empregado ou da terceirizada. Ainda de acordo com Cristiane, ela afirma já ter visto colegas de trabalho portando armas de fogo, sem nem ter o porte legal. “Eles costumam dizer que se a coisa ‘apertar’ a arma resolve” conclui.

No Paraná as empresas de segurança privada associadas ao Sindesp somam 70, mas o mercado informal preocupa o sindicato, pois o número de empresas clandestinas supera em 30% número dessas empresas regulares. É uma realidade preocupante, se levada em consideração o risco de contratar agentes despreparados para zelar segurança de pessoas. Estas empresas irregulares não possuem treinamentos específicos exigidos pela Polícia Federal, não priorizam antecedentes criminais, muito menos fazem exames de saúde física e mental com seu contingente. O primeiro passo para que essas empresas saiam do mercado e os contratantes possam confiar nos serviços prestados, é um projeto de lei, mas como isso ainda demorará devido ao sistema com que o nosso pais cuida da segurança. Então uma medida a médio prazo é antes de contratar algum serviço privado, conferir se ela pertence a lista de empresas legais e liberadas pela Policia Federal para atuar.


Veja abaixo as empresas de SEGURANÇA PRIVADA que são associadas ao SINDESP-PR

- Crédito da foto.

quinta-feira, 13 de março de 2008

Culturas diferentes, uma cidade só

Por Gisleine Moreira
Um diálogo entre três cidadãos brasileiros.
O gaúcho
- Mas “bah” guri! Na minha terra têm, churrasco, chimarrão, cucas variadas dentre muitos...
O baiano
- “Oxente bichinho”, na minha tem vatapá, caruru, mungunzá....
O Curitibano cabisbaixo responde
-Ehhh........ Na minha ?! Ummm, bem....
- Aqui eu vi uma reportagem da RPC que típico para comer, e coalhada com mel em uma confeitaria que fica lá na XV, ou Carne de Onça no bar de um tal de Edmundo.
- Carne de Onça ???? perguntaram os dois.
-É! (Respondeu o curitibano) Masssssssss eu nem sei bem o que é isso, e se realmente é feito de onça. Não sei nem quem é o Edmundo!
-Que barbaridade guri, tu não sabe nada da tua terra.
- Ah! Não seja injusto sei sim quer ver?
-Manda (replicou o baiano).
- Curitibano, chama estojo de penal, salsicha de vina, mandioca de aipim, as “meninas do Estar de periquita” e por ai vai.
-Ah Curitiba! Tem uma banda muito boa também que chama Blindagem, inclusive o Ivo que é da banda, é meu camarada.
-Que mais você sabe rapaz?
-Bem......é.... é..... ummmm... deixa eu pensar....
O baiano e o gaúcho se entreolharam, e um deles se manifestou:
- Xi!!!!!! Rapaz, se eu e meu amigo gaúcho aqui começarmos a contar as tradições, o jeito de falar e as bandas dos nossos estados, nós vamos demorar nesse papo.
-É verdade! E depois ao que me consta à narradora dessa história andou por ai conversando com algumas pessoas sobre esse tema.
-Mais que barbaridade guri, até que enfim vocês lembraram de mim. É verdade eu quero falar sim.
Pois bem minha gente, conversando aqui, ali, por cá, por acolá, você acaba descobrindo a opinião das pessoas sobre esse tema, que quase nunca está em pauta. Dentre algumas conversas destacam-se duas. Uma é do professor Emerson Cervi, para ele a “pobreza” de cultura nesta cidade, é porque tudo por aqui aconteceu meio que na “canetada”. “Não se precisou lutar por nada, então o povo não forjou a sua cultura local”. Isso pode explica porque o curitibano sabe tão pouco da sua “identidade” e por isso não ter tanta importância na mídia.
Paulo Camargo, jornalista da Gazeta do Povo, tem uma visão mais otimista de que isso está mudando, e coisas que o curitibano produz, como o Festival de Teatro começam e ter uma brecha, nos grandes veículos de comunicação. "Alem de Curitiba, outras cidades como Manaus e Belo Horizonte não tem a produção cultural divulgada. Isso porque os meios de comunicação e produtores de cultura de massa estão no Rio de Janeiro ou em São Paulo. A grande mídia não cria uma identidade com a cultura da cidade, foca o que se produz no eixo Rio- São Paulo” declara.
-É meus amores, desse jeito acabamos sendo uma cidade de várias culturas. Que consome a produção nacional em grande quantidade e que não delineou a sua própria.
E você ai do outro lado da telinha o que acha disso? Comentem.
-Bom vou ficando por aqui, porque os piás já me abandonaram. Foram procurar o bar do Edmundo para provar da tal Carne de Onça e beber umas Cervejas. Eu que não sou boba nem nada to indo para lá, como eu já sei o caminho chego antes deles, hehehehehe. Até a próxima pessoal!





Curiosidades e Manias dos "curitibocas" entre em http://www.geocities.com/curitibahoje/curitibamanias.htm
Crédito Imagem: http://wolverineresponde.blogspot.com/2007/12/preconceito-onde-voc-guarda-o-seu.html

terça-feira, 11 de março de 2008

Bullying; pouca gente conhece

Por Rodrigo Bortot

O fenômeno conhecido como bullying, palavra oriunda do inglês “bully” assemelhando-se ao termo em língua portuguesa como “valentão” ou “machão”, caracteriza-se como um desses obstáculos ameaçadores, com o quadro característico de adolescentes excluídos e discriminados, agredidos e/ou machucados por outras pessoas.

Me refiro aqui às brincadeiras que não tem graça, aos apelidos inconvenientes, a amplificação dos defeitos estéticos, o amedrontamento, as gozações que magoam e constrangem, chegando à extorsão de bens pessoais, imposição física para obter vantagens, passando pelo racismo e pela homofobia, sendo “culpa” dos alvos das agressões, geralmente, o simples fato de serem “diferentes”, fugirem dos padrões comuns à turma – o gordinho, o calado, o mais estudioso, o mais pobre.

Este é um fenômeno devastador que atinge diretamente a auto-estima e a saúde mental do adolescente. Geralmente ocorre em pessoas mais suscetíveis ou vulneráveis a agressões verbais ou morais que lhes causam angústia e dor, principalmente quando ocorrido em ambiente escolar, traduzindo-se em uma forma de exclusão. Tais atitudes podem desencadear problemas como anorexia, depressão, ansiedade e até mesmo o suicídio.

Segundo Gisleine Moreira que passou por situações parecidas, isso é mais comum do que se imagina. “Você já deve ter ouvido ou até mesmo falado um famoso ditado "gorda baleia saco de areia", por mais inofensivo que isso pareça ser, agride quem é ofendido. Ninguém é gordo porque acha bonito ou tem isso como uma meta”, afirma.

“Minha reação sempre foi agressiva com as pessoas. Brigava por tudo. Na época minha heroína era a Mônica gorducha e dentuça. Me inspirei nela pra sair disso”, acrescenta Gisleine

Ainda de acordo com ela, quando criança, procurou ajuda de uma psicóloga com quem teve algumas sessões. “Mais tarde fiz um tratamento sério e três intervenções cirúrgicas para mudar minha aparência”, finaliza.

Segundo estatísticas da revista Raça isso é mais comum em adolescentes de 11 a 13 anos e hoje atinge mais de 45% dos estudantes do ensino fundamental. O fato é que vemos pouco isso na mídia, embora casos como este sejam muito comuns em escolas, faculdades e até ambientes de trabalho.

Por outro lado Suzana Possamai, da Rede Paranaense de Comunicação (RPC), tem outra opinião. “Isso sai na mídia sim. Lógico que não é frequentemente, pois procuramos fazer matérias após feitas denuncias. Do contrário não é interessante fazer matérias praticamente iguais”, disse.

A psicóloga infantil Luciana Gadelman acredita que o carinho dos pais é fundamental para ajudar a criança ou o adolescente, vítima do bullying, a lidar melhor com os sentimentos e enfrentar o problema da melhor maneira possível.

“O bullying é um comportamento que deve ser combatido desde cedo e logo que identificado, pois forma dois tipos de indivíduos em desequilíbrio. Um de extrema baixa estima, que relega as suas potencialidades em razão dos conflitos psicológicos acarretados pelo bullying. O outro é perverso, não aceita limites, não compreende a diferença e sente prazer em maltratar o seu semelhante”, afirma Luciana

Embora algumas pessoas defendam que a mídia da espaço para isso, de fato ele ainda é pouco. Procurei em alguns sites de jornais e em vários não encontrei uma matéria sequer relacionado a tal problema.