quarta-feira, 2 de julho de 2008

O Porvilho nosso de cada dia

Por Ânderson Mendes

Fim de semestre, e cá estou na prova final da disciplina de Seminários 3, matéria a cargo do professor Harmata. Pensar num blog nesta altura do campeonato, 5º período de jornalismo, ao iniciar o semestre letivo fora ao meu ver uma grande prova de aprendizado sobre a minha visão restrita de internet.

Apesar de eu ter dois blog (Fideicomisso e Reflorestar), no mesmo blogspot, não aceitei a idéia, pensei que podiamos - a turma inclusa - trabalhar com o próprio site de jornalismo da UniBrasil, que muitas das vezes que entramos lá é possível ver algumas teias de aranhas, e trabalharmos outras coisas.

Fui lá no Blogger, e fiz a página para a turma, depois de todos nós decidirmos o nome deste blog O Porvilho do Povo. Mas, acho que o mal de leonino que tenho, de ser um pé no saco fez com que eu não participasse do mesmo no 1º bimestre, mas eu vi a turma postando no Blog, e vi matérias super-legais saindo e mostrando o que temos de bom com assuntos não muito comentados na mídia tradicional, ou melhor, convencional, e vi também mentes pensantes decidindo temas, e até gostei da idéia de encrementar mais o blog, mudando o layout e participando ativamente.

Abrir meus olhos para mais uma nova janela em nossa profissão fez com que eu não visse o blog mais como uma má idéia. Acho que tem certas empecilhos em nossa faculdade que não tem nada a ver com as atividades que devemos aprender. Se a faculdade não nos corresponde, então não devemos misturar certos ódios com as atividades boas que podemos exercer como estudantes. Às vezes pode parecer que tenho uma mente conservadora para certas coisas, mas nem é isso, apenas tento tirar uma razão de certas coisas, e claro, podemos errar, mas antes de errar de verdade temos a chance de corrigir, mas chega de filosofia barata.

O blog está aí, e muito divertido para quem passa por aqui, a meu ver, ele está crítico, ponderoso, e até mesmo encontramos parcialidades, mas tentamos fazer jornalismo de forma coesa... particulamente estou feliz pelo resultado, por ver que a turma toda deu um palpite aqui e ali no trabalho um do outro, sempre pensando na melhoria.

A prova final ainda está aí, mas eu não fiz a última entrevista que o professor solicitou, meu entrevistado não é do Brasil e até agora não respondeu meu mail, mas gostaria de recordar a melhor entrevista que já fiz em toda a minha perspectiva profissão, com o Joseph Henry Vogel (Abaixo deste post).

Gostaria de agradecer a toda turma pela paciência, pela preocupação em esperar os posts atrasados e que lembraram que a postagem era tal dia e assim indo. Abraço aos leitores e amigos que passam por aqui. Boas férias, mesmo que curta. E continuem tratando o blog como nosso e de cada dia... continuemos...

O Brasil sob a visão de Vogel

Por Ânderson Mendes

Joseph Henry Vogel, PhD é Professor titular do Departamento de Economia da Universidade de Porto Rico, e concedeu uma pequena entrevista, em português, por e-mail durante a semana. Em suas atividades recentes, desenvolve um projeto sobre Geopiracy, com outros estudiosos, e desenvolve também projetos sobre economia e meio ambiente. Nesta entrevista, ele fala do grande desenvolvimento do Brasil no cenário internacional, comparando-o à Irlanda de alguns anos atrás, que saiu de uma pobreza absoluta, e hoje é um dos países mais ricos da Europa. Ainda que o país construa uma boa posição no cenário internacional, na visão de Vogel serão necessárias algumas décadas para que o Brasil alcance a maturidade na forma de cuidar do seu meio ambiente e garantir uma política internacional mais precisa com os países vizinhos em questões econômicas. Para ele, a cultura nacional se mostra compenetrada nos países desenvolvidos e industrializados, produtos nacionais são observados com freqüência pelo fator dinâmico que a diversidade racial garante a um setor crescente numa economia diversificada.

Leia na íntegra a entrevista:

1 – O Brasil nos últimos anos tem se mostrado muito presente em discussões internacionais. Isso tem se mostrado positivo?
Há sido positiva a forma como o Brasil tem superado a pobreza com projetos sociais e os avances tecnológicos implementados rumo ao seu desenvolvimento econômico; mas negativa quando se observa que o Brasil sofre de uma violência inimaginável e um desmatamento em grandes proporções que deixa a desejar aos olhos dos países desenvolvidos.

2 – Casos como violência urbana, taxa de mortalidade alta, crimes em que a sociedade brasileira, hoje, enfrenta. O Brasil pode mudar esse quadro?
Pode mudar sim. Mas requer uma discussão sincera e pública sobre coerção mútua que é também mutuamente acordada (em relação à presença da polícia nos centros urbanos, o controle sobre armas e munições, os impostos para financiar a saúde pública, limites sobre mudança de usos de solos, os efeitos dos transgênicos, etc.).

3 – Como você vê a atual economia brasileira no cenário interno e internacional?

O Brasil recuperou-se incrivelmente em termos econômicos, o que é evidente quando se observa o meio de bens de consumo. A subida do real em relação ao dólar é outro indicador que o governo brasileiro adquiriu, igualmente, controle sobre a situação fiscal do país.

4 – O Brasil deve investir em países da América Latina?
Os investimentos realizados em outros paises, neste caso, países latino-americanos, podem dar ao Brasil uma possibilidade de aproveitamento de sua posição negociadora, por tratar-se de um país mais forte, em relaçào às compensações e à distribuição da poluição resultante deste processo de inversão. Com o Mercosul, imagino que não pode haver discriminação contra investidores brasileiros em países muito mais pobres, como é o caso da Bolívia ou do Paraguai. No entanto, deve ser mantida uma estratégia de crescimento que não venha acompanhada de investidores estrangeiros que induzam efeitos ambientais negativos por causa de investimentos e da política alterada pela corrupção que muitas vezes se encontra presente em vários mega-projetos e acordos bilaterais.

5 – Quanto ao interesse de o Brasil entrar no Conselho de segurança
da ONU, é viável que isso seja necessário?

É viável e de certa forma necessário para que os países em vias de desenvolvimento tenham uma voz ativa nesta Organização. Como o Brasil é um país enorme e que não vai resolver seu problema econômico ou ambiental nas próximas décadas apesar de um forte desenvolvimento, este poderá representar os outros paises em vias de desenvolvimento nas mesas de debates e discussões com os países industrializados e ricos.

6 – A política externa brasileira está indo de acordo e com respeito aos países vizinhos?
Os conflitos são vários: entre o Brasil e a Bolívia, sobre os investimentos que não beneficiam suficientemente a Bolívia; entre a Venezuela e o Brasil sobre o álcool e a segurança alimentícia; entre a Argentina e o Brasil sobre o domínio dos demais, já que aquele não quer assumir uma posição de inferioridade nos fóruns políticos internacionais.

7 – Meio ambiente: O Brasil deve restringir mais o acesso de Estrangeiros interessados na Amazônia? Isso implica em que?
Definitivamente, NÃO. A diretriz vigente em relação a esta discussão é apenas uma cortina de fumaça para proteger os interesses relacionados à extração de madeira, à exploração de recursos minerais, à construção de novas rodovias, etc., frente a qualquer reportagem negativa que venha a resultar da continuação indevida de ditas atividades. A atenção dos meios de comunicação está centrada unicamente na Biopirataria, que é uma causa injustificada ou FALSA pelo motivo de existirem métodos muito mais efetivos para pôr em prática a proteção do acervo genético brasileiro (por ex., apoiar um cartel sobre a biodiversidade onde não importa de onde venha o recurso genético, a única coisa que realmente deve importar é a identificação de outros países onde dito recurso pode também ser encontrado, ou seja, os países que possam vir a reivindicar seus direitos por terem tido o cuidado de preservar também suas florestas, onde mencionado recurso se encontre presente. Com isso, no momento da patente, ditos países podem reivindicar, de forma equitativa, seus direitos de participar nos benefícios).

8 – O Brasil tem autonomia para falar de meio ambiente?
Claro que sim, mas autonomia não significa imunidade nem tampouco monopólio. Qualquer pessoa fundamentada, pode e deve ter o direito de comentar sobre o desmatamento brasileiro.

9 – A cultura nacional é vista e respeitada nos demais continentes?
Cada vez mais, por várias razões. A diversidade racial tornou-se quase uma moda nos países industrializados, e nenhum país representa melhor dita diversidade racial além da boa convivência entre as raças que o Brasil. Da mesma forma, a música brasileira, o cinema brasileiro, e até o estilo e moda. Como exemplo podemos citar o das Sandálias Havaianas e dos móveis brasileiros que estão penetrando o mundo desenvolvido.

10 – O que você acha do Brasil, é um país ao qual o futuro reserva
bons rendimentos? (visão geral)

Os economistas folgam que o Brasil sempre foi considerado o país do futuro. Acho que essa troça econômica virá por terra num futuro muito próximo, a partir do momento que o Brasil assumir uma posição cada vez mais robusta internacionalmente (semelhante à Irlanda que uma vez foi associava a uma pobreza absoluta, e agora é um dos países mais ricos da Europa).
Cheguei ao Brasil pela primeira vez em 1981, e ao longo de uma geração humana, voltei em 89, 91, 92, 95, e quase todos os anos a partir de 1995. Portanto, vi mudanças que pensei serem impossíveis quando vim pela primeria vez em 1981. É um fato tecnológico que a taxa de mudança acelerou desde essa época, e só posso agora imaginar o que dita taxa abarcará nos próximos 27 anos de crescimento do Brasil!


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