segunda-feira, 31 de março de 2008

Entrevista com o ator Maicon Santini

por: Tamie Ono Lôr

Maicon Santini é ator, faz 8 anos. Hoje trabalha no teatro Lala Schineider, esteve em cartaz no festival com as peças Peer Gynt, Peter Pan e Eu Quero Sexo 7, além de ter feito a produção de Macho Não Ganha Flor e sonoplastia de Casa do Terror.

Tamie - Como surgiu o seu interesse pelo teatro?
Maicon Santini - O interesse pelo teatro, no meu caso e , creio eu no caso da maioria dos artistas, nasceu comigo. Não sei dizer exatamente quando e nem onde. Sei que desde que me lembro que sou gente, lembro que queria ser artista. Desde criança sempre fui apaixonado pela arte. Adorava quando minha mãe pintava seus quadros e tecidos e deixava eu brincar de ser pintor, amava ir ao circo, teatro, assistir programas de TV, analisar os apresentadores e atores. Todo esse mundo artistico sempre me fascinou. Nunca me imaginei em outra profissão. Minhas brincadeiras giravam em torno disso. Meus sonhos e ideais, também.

Tamie - Você sofreu e sofre preconceito por ser um ator? Quais são eles?
Santini - O preconceito com o Artista, sempre existiu. Não trata-se de um caso específico ou do meu caso. Trata-se de uma generalização. A cultura, a família apóiam quase todos os tipor de profissões, querem que seus filhos e filhas sejam médicos, engenheiros, advogados... mas artista? Não! Artista é pobre, artista é louco, artista é irresponsável... Por que e pra quer ser artista? As pessoas não aceitam a simples resposta de que sejamos artistas porque somos felizes como tal! Que um ator bom não é só aquele que aparece na TV e ganha salários exorbitantes. Que artista trabalha e merece respeito tanto quanto qualquer outro trabalhador. Nossa cultura não entende esses fatos. A família brasileira e o estado não sabem valorizar seu rico potencial artístico. Nem sequer vendê-lo ou exibi-lo ao mundo. Talvez sintam vergonha ou prefiram Hollywood ou a Europa. Uma demonstração de ignorância.

Tamie - De todas as peças que você já apresentou no Lala qual é a sua peça favorita e por quê?
Santini - De todas as peças que eu já apresentei lá, sem dúvida, uma das que mais gosto é Peer Gynt. Não porque foi meu último trabalho, ou porque eu era protagonista do espetáculo, mas sim pelo desafio, pelo aprendizado. Uma apresentação de Peer, com certeza, me faz aprender mais do que temporadas inteiras de outros trabalhos que já fiz.

Tamie - Você já ganhou premio como ator revelação do Lala, qual foi a sensação? Em que peça foi?
Santini - Já ganhei prêmio de Ator Revelação e também o de Melhor Ator, por duas vezes.O prêmio de Revelação foi a grande primeira conquista ali. Era meu primeiro espetáculo e além do prêmio me incentivar, me ajudou a conquistar o apoio da minha família para que eu segui-se minha carreira. Já os prêmios de melhor ator foram em 2004, por Auto da compadecida, onde eu vivia o Chicó e em 2007 por Peer Gynt.

Tamie - Qual é o maior desafio quando você está se apresentando?
Santini - Concentração. Palavra-chave. Seja qual for o tipo de espetáculo que você estja apresentando você, sem dúvida, só fará bem se estiver concentrado, livre dos seus pensamentos, dominado pela personagem.

Tamie - O que te levou a trabalhar com outras áreas, ligadas ao teatro, como sonoplastia e produção?
Santini - Acho importante um ator, principalmente aquele que quer ser diretor, saber fazer de tudo um pouco. Saber o outro lado. Saber fazer algo mais do que subir no palco e dar seu texto. De fato entender todas as pecinhas que compõe a grande cena. A luz bem feita. A música ideal. O que se veste e o que compõe o cenário. Sem dizer que quando você aprende tudo isso, você entende melhor o que é Estar Em Cena, e faz melhor seu trabalho de ator.Já produção é algo que me fascina. Um trabalho pentelho, chato, mas necessário. A figura do produtor é indispensável a existência de um espetáculo. Eu Estou aprendendo demais como produtor. E estou amando.

Tamie - Qual o maior desafio na produção da peça Macho não Ganha Flor?
Santini - Um grande ator, Marino JR. Um grande autor, Dalton Trevisan. Um grande diretor, João Luiz Fiani. Pensando assim fica fácil concluir: Não há porque dar errado. Não há porque ser um lindo espetáculo. Errado. Um grande espetáculo trás consigo responsabilidades gigantes. Dalton é nosso maior contista da atualidade. Ler um conto seu não fácil. Imagina interpretá-lo! Dirigi-lo! Todas as manhãs, durantes as longas semanas que ensaiamos este espetáculo, quando sentávamos eu, Marino e Fiani, as vezes nos sentíamos perdidos. Marino com uma carga altíssima de textos para decorar, Fiani coma responsabilidade de criar todo o espetáculo e eu lá, auxiliando Marino a decorar o texto, a criar a sonoplastia, ajudando Fiani a marcar o espetáculo a definir sua "cara". Eu, em meio aos grandes. Sem dúvida, um desafio. Uma oportunidade. Graças a Deus, bem aproveitada.

Tamie - O que você acha das peças infantis? Representar para crianças é sempre mais complicado afinal você tem que se envolver mais no personagem, já que eles não sabem separar a fantasia do real. Você gosta de ser um dos responsáveis por soltar a imaginação dos pequenos?
Santini - Sim. Às vezes penso. Daqui há uns dez anos eu posso cruzar com uma criança na rua, não saberei quem ela é, nem ela quem sou, mas com certeza terei sido um dia, responsável por instigar sua criatividade, colorir sua memória, sua fantasia.Crianças são fabulosas, mas não tem piedade quando você não faz tudo direitinho como ela quer ver. Como ela imagina.

Tamie - A peça A Casa do Terror já teve várias edições, qual o sucesso de tanto público?
Santini - Realmente um sucesso. Melhor do que pra responder esta pergunta, seria Fiani. Mas eu penso que quando o Fiani lançou a primeira Casa do Terror ele simplesmente descobriu uma brecha, um nicho, dentro do mercado cultural brasileiro. Fez um grande e bom espetáculo na hora certa. Na hora que todos queriam ver algo ainda não visto. A mistura da comédia com o terror, o horário da meia-noite, as histórias e a maneira como são contadas. Tudo que gerou este sucesso absurdo. Casa do Terror em cartaz significa casa lotada, sempre! Incrível!

Tamie - No festival você está com uma peça do projeto Work in progress, que são montagens de peças já apresentadas, com textos dramáticos, como você acha que tem sido a repercussão do público?
Santini - Acho que o público "não-artista", talvez não entenda bem o significado desse termo work in progress no teatro. No caso do Peer, por exemplo. A obra original de Ibsen tem cinco atos. Algo grandioso. Nossa montagem apresenta somente os três primeiros atos da obra. Não pense que é algo inacabado, e sim algo que ainda pode melhorar. Algo, de fato, em progresso.

Tamie - qual o maior desafios de apresentar-se como Peer Gynt, um papel complexo pois trabalha com um mundo muito louco. Qual a sua preparação como ator, já que em menos de 3 horas você muda de uma peça de comédia (Eu Quero Sexo 7) para o Peer Gynt?
Santini - Paro tudo. Relaxo. Respiro. E lá vou eu. Lavo o rosto, visto o novo figurino do próximo espetáculo. Me concentro. Penso em meu texto e repasso-o em minha mente várias vezes. Aqueço minha voz. Tomo bastante água. Aqueço meu corpo. Tudo segue-se quase que como um ritual. Mas é assim. Pra mim um ritual necessário. Gosto de entrar no palco livre de preocupações e vontades. Faço tudo que tenho que fazer e me fecho em meu "mundinho" até a nova peça começar. Não dá pra levar a energia de uma peça para outra, cada espetáculo, cada platéia, cada personagem depende de um momento. E momentos são únicos.

Tamie - O que você acha do teatro no Paraná, você acha que tem grande divulgação?
Santini - Não. Teatro, no Brasil, só se ouve falar de Rio e São Paulo. Paraná e demais estados são lembrados raramente. Por quê? Não sei. Bons trabalhos temos. Mas o pouco que eles mostram, eles insistem em mostrar de lá (RJ e SP), não daqui.
Fotos: Tamie Ono Lôr

domingo, 30 de março de 2008

Educação rural fixa jovem no campo


Por Anderson Leandro


Ana Regina Martins da Silva é pedagoga no Colégio Estadual Juvenal Borges da Silveira, uma escola rural na Lapa/PR que atende 180 alunos filhos de agricultores da cidade. Ela falou do cotidiano da escola que fica 38 quilômetros da sede do município e das características de uma educação que atenda a perspectiva de fixar o jovem no campo.


Anderson Leandro: Qual a diferença entre atuar em uma escola na cidade e em uma escola na zona rural?
Ana Regina: Na escola da cidade o jovem é capacitado para passar no vestibular e dar continuidade nos estudos afinal ele tem mais alternativas de profissões. Já no campo o jovem tem que ser valorizado a partir do seu cotidiano, ser valorizado a partir do meio em que vive. Deve ter incentivo para permanecer na terra, ver aquilo como bom e como uma alternativa sustentável.

AL: A grade curricular atual ajuda neste sentido?

AR: O currículo de todas as escolas tem que estar enquadrado no BNC (base nacional comum). No caso das escolas rurais existe uma diversificação e uma resolução que obriga a inclusão da educação no campo no currículo básico. Isto quer dizer que a escola deve valorizar os costumes e a propensão destes jovens em trabalhar na agricultura, e aí, é diferente das escolas agrícolas que formam técnicos rurais, por exemplo, lá nos formamos os próprios agricultores.

AL: Como a escola pode incentivar a permanência do jovem no campo?

AR: Esta semana foi instalada a primeira conexão de internet na escola. O laboratório não está pronto ainda, mas já são 16 computadores conectados, o resto ainda não esta funcionando porque a energia é fraca, eu chorei de felicidade porque vamos poder oferecer tudo o que os alunos da cidade podem ter. Eles não precisam sair do lugar onde moram para ter conexão com o mundo.

AL: Este recurso didático resolve a situação?

AR: Sozinho não, é uma soma. O currículo, a participação do corpo docente, transporte escolar. Nós temos alunos que moram 25 km da escola e poder oferecer bens que os estudantes da cidade tem acesso é uma forma de incentivo.

AL: O que o professor pode fazer?

AR: Uma situação que ajuda bastante é o fato dos professores se aprofundarem em educação no campo. Isto vai fazer com que o educador se aprofunde e saiba lidar com esta realidade. O jovem do campo no campo é menos pobreza na cidade e a escola rural tem que ficar atenta e incentivar de todas as formas esta valorização do trabalho e da vida no campo.

AL: Obrigado Ana Regina.


sábado, 29 de março de 2008

Estudante satisfeita por Direito

Por: Gael Gonçalves




Foto: http://www.diasedias.adv.br/img/assinatura_001.jpg

A entrevistada de hoje é a estudante de Direito, Ticiana Pereira.Uma garota muito dedicada,que vai atrás de seus objetivos,que luta por suas causas,estudiosa,competente...Vamos saber um pouco mais sobre ela:
Gael: Por que você escolheu este curso?
Tici: Bem eu queria ter feito teatro,mas a família não apoiou,então fui fazer direito.
Gael: E você esta gostando do curso?
Tici: Sim agora estou gostando, estou me identificando com o curso,mas não foi sempre assim.
Gael: Foi difícil no começo do curso?
Tici: Com certeza,eu pensei até em desistir.No início eu achava que não tinha nada a ver comigo,que acabaria por não terminar o curso,mas hoje minha visão em relação ao curso é bem diferente e estou gostando muito.
Gael: E você esta estagiando?
Tici: Sim estou.
Gael: Onde?
Tici: Na Vara de Inquéritos Policiais
Gael: Como o estágio auxilia em sua formação?
Tici: Ele faz a ponte necessária para a compreensão entre o que aprendemos na faculdade e o que ocorre na prática.
Gael: Então hoje você esta satisfeita em ter continuado com o curso?
Tici: Sim estou satisfeita,é interessante analisar que um tempo atrás eu não queria continuar achando que não tinha nada a ver comigo,mas as coisas mudaram...
Gael: Muito Obrigado pela entrevista Ticiana e desejo muito sucesso à você!
Tici: Obrigada pelo convite!



Frase do Dia:Quem decide um caso sem ouvir a outra parte não pode ser considerado justo, ainda que decida com justiça. (Séneca)

Obrigado à nossa entrevistada de hoje pela colaboração em participar do blog!Tenham todos um Ótimo final de semana e ate o próximo post!Lembrando para às criticas e comentem!!!(Desculpem aqueles que esperavam pela matéria ontem,mas aconteceram problemas técnicos na hora da postagem.Agradeço a compreensão!)

sexta-feira, 28 de março de 2008

Debaixo dos caracóis dos seus cabelos tem 27 anos de profissão...

Contados depois da porta de vidro

Por Sheila Gorski

Essa Maria é das Graças, e não da Graça, como a tão conhecida Xuxa. Não veio do Rio Grande do Sul e fez sucesso na Globo, mas veio de Palotinas e faz sucesso em Curitiba. Seu apelido não é Xuxa e sim Kika. As quase coincidências terminam por aí, pois Kika é cabeleireira.
Sua história se mistura um pouco com a história de Curitiba e seu desenvolvimento. Veio no final dos anos 70 como empregada doméstica. Trabalhou na fábrica de bolsas Ika, onde ganhou o apelido de Kika, pois, todas no setor dela eram Marias e cada uma tinha seu apelido. “O meu veio de um programa que tinha uma Kika, daí as meninas me deram esse apelido”.
Trabalhou numa pizzaria em 1980 onde descobriu seu gosto pelo público. “Então a minha irmã era cabeleireira e me dizia pra eu fazer o curso, porque eu já cortava o cabelo da mãe, dos irmãos”. Enquanto fazia o curso trabalhou numa lanchonete. “Era de um árabe [lanchonete] e na frente tinha um salão que depois fui trabalhar.” No ano seguinte já começou sua carreira de 27 anos. “E olha, eu amo o que faço”.
Entre uma baforada e outra com o secador, um delegado na cadeira ao lado conta sobre um cadáver sem parentes, senhoras entram perguntando “Kika, tem hora?”; “Ai querida vem lá pelas quatro”, Kika conta empolgada sobre sua vida.
“Sabe, eu trabalhei em um monte de lugares, você trabalhava onde queria. Sobrava emprego nos anúncios. Hoje não.” E os olhos observam a todos que passam na porta de vidro. “Sabe que tem muita mulher raspando com máquina 3 o cabelo?”. Ou então conta sobre a viagem de uma hora e meia até em casa. “Agora tem tanto mendigo por aí”.
Perguntada sobre o futura Kika já sabe: “Se eu cansar de cortar cabelo eu vou abrir tipo uma cantinazinha e fazer pizza”. Com o guarda-pó branco, cabelos cacheados, semblante concentrado, sorriso escondido e os olhos sempre atentos na porta de vidro essa Marai das Graças retira mais um avental.

quinta-feira, 27 de março de 2008

Bate papo com Vivian Mendes.

Por: Juliana Antunes
Vivian Mendes modelo e estudante de jornalismo comenta sobre o Dream Fashion Tour, maior evento de moda itinerante da América Latina, e fala suas opiniões sobre o mundo jornalístico.

Juliana: Sobre o DFT (Dream Fashion Tour) quais experiências você leva?
Vivian: Pra mim foi ótimo participar. Experiência nós tiramos em tudo, acho que todas mereciam ganhar, e certamente a vencedora representará com orgulho as 6 finalistas.

Juliana: Há quanto tempo você trabalha como modelo?
Vivian: Trabalho como modelo há cinco anos.

Juliana: E por que optou pelo jornalismo?
Vivian:
Entrei pro jornalismo porque gosto do relacionamento interpessoal, e não me adapto a rotina, acredito que no jornalismo isso se quebre um pouco.

Juliana: Você participa do projeto Holofote que a UNIBRASIL oferece, o que ele te agrega?
Vivian:
Vejo no holofote uma porta. To pulando uma etapa grande com ele, acho que quando chegar nas aulas de TV, que ainda não tive, vou ouvir a professora e dizer, isso tudo eu já sei. (risos) Porque realmente tenho aprendido muito, e da melhor forma, no meu ponto de vista, na pratica.

Juliana: Pretende seguir carreira de repórter televisiva?
Vivian: Eu quero trabalhar com TV com certeza, pelo menos é o que pretendo, ou mais, pode-se dizer "sonho". Porque não é fácil chegar até lá.

Juliana: No ano passado, na semana de comunicação, você fez o workshop que a Dulcinéia ministrou. Você tem alguma fonte de inspiração, ou melhor, tem algum jornalista que você admire?
Vivian: Vejo que o mundo jornalístico é rico em todas as áreas, mas obviamente que pelo meu maior interesse observo mais o jornalista de televisão, e não diria inspiração, mas tenho uma imensa adoração pela Marilia Gabriela, acho que ela tem uma característica só dela, que a mim agrada muito, penso que o jornalista tem que ter sua personalidade.

Juliana: Alguns de nossos professores dizem que o jornalismo atual é PODRE, podre de jornalistas bons. Para você que se forma daqui 3 anos, qual é a sua expectativa para o mercado de trabalho que lhe aguarda e qual sua opinião sobre os profissionais atuantes?
Vivian:
Concordo sim que existe um jornalismo muito "fraco" no mercado de trabalho misturado no bom jornalismo. O mercado de trabalho hoje não ta fácil, e por isso tento buscar diferenciais para que eu possa me destacar depois de formada, e é lógico que eu penso grande, vou dar meu máximo pra chegar lá.

Juliana: Obrigada pela entrevista.
Vivian: Não há de que.

ALGUMAS FOTOS DO EVENTO QUE SACUDIU CURITIBA NO ÚLTIMO DIA 15


A banda curitibana Fuja Lurdes contagiou o ginásio do Paraná Clube


O ator global Ricardo Tozzi comandou talk show com metres da beleza

"Teatro faz parte da minha vida desde que nasci"


Por Rodrigo Bortot

Maurício Vogue é paranaense, nascido em Paranaguá, e iniciou sua formação artística muito cedo.ELe é diretor, ator, cantor e bailarino. "A Aurora da Minha Vida", de Gabriel Vilella e “Tambores de Minas” de Milton Nascimento foram alguns dos espetáculos em que atuou. Desenvolveu outros inúmeros trabalhos como ator e diretor, tanto no teatro adulto quanto no infantil. Dentre suas conquistas destaca-se o prêmio Governador do Estado – Gralha Azul (a mais importante honraria do teatro paranaense), como melhor diretor para criança, com a peça "Peter Pan e a Terra do Nunca".

Rodrigo: Quando começou o teatro em sua vida?
Maurício: O teatro está presente em minha vida desde que nasci. Minha mãe é atriz e meu pai é ator. Minha mãe veio de um teatro que hoje em dia já não está tão em ativa no Brasil que é o "teatro de pavilhão" ou "teatro mambembe". Convivi diariamente com este tipo de teatro até meus 11 anos. Dou muito valor para essa fase da minha vida porque é o que sustenta minha formação como ator.

Rodrigo: O Teatro ainda é uma arte eletizada no Brasil?
Vogue: Sim. Apesar de já ter mudado um pouco. A política no país mudou nos últimos tempos e isso influência na arte, mas ainda é eletizado. Nós artistas devemos realizar projetos que aproximem o teatro da população mais carente.

Rodrigo: Ator ou diretor? Qual a melhor função?
Vogue: Depende muito da ocasião, da peça que estarei atuando ou dirigindo. Pra mim teatro é teatro na minha vida, seja cantando, dançando, dirigindo ou atuando. Impossível escolher uma delas. Tudo me da prazer quando atuo.

Rodrigo: Quais os momentos mais importantes na sua carreira teatral?
Vogue: “O Menino Maluquinho” foi muito importante. Nele descobri o teatro para crianças. “O Fazedor de Teatro”, com Marcelo Machioro. O show do Milton Nascimento, “O Tambor de Minas”, em que eu fiz um backing vocal, com direção do Gabriel Vilella, entre outros.

Rodrigo: Como foi sua formação artística e a influência de Regina Vogue nela?
Vogue: Até os nove anos eu morava no circo. Eu cantava, depois estava lá com o cara do trapézio para aprender. Era circo, teatro com show de música ao final, eu vivia nesse universo. Por causa dos meus estudos minha mãe saiu do circo. Era difícil, pois ficávamos dois meses em cada cidade e eu não possuía amigos fora do circo. Com 15 anos comecei a entender o que eu queria e a estudar tudo que podia. Das 8h às 23h eu estava balé, canto, flamenco, ensaios, enfim tudo que podia.

Ivan- jovem estudande de piano

por: Tamie Ono Lôr

Ivan Gama Mendes, 19 anos, estudante de piano, teve seu primeiro contato com a música graças a sua mãe que desde pequeno deu aula para ele. Quando adolescente, fez aula com professores particulares, desde os 15 anos e participou da oficina de Musica de Curitiba.

Tamie Ono Lôr – Como começou o seu interesse pela musica?
Ivan Gama Mendes - Meu primeiro contato com a música começou ainda criança, quando eu via a minha mãe tocar piano.

Tamie - Quais são as suas influências na música, piano?
Ivan - No começo a minha grande influencia era a minha mãe. De forma indireta de pianistas são Nelson Freire e Marta Argerich.

Tamie - Você participou da Oficina de Musica de Curitiba, em qual especialização? Durante quanto tempo?
Ivan - Participei da Oficina durante dois anos consecutivos, a minha formação é piano erudito.

Tamie - Qual a melhor coisa de participar da Oficina de Musica de Curitiba?
Ivan - Para mim o melhor de ter participado dessa Oficina, é o contato pessoal. Fiz vários amigos, de todos os cantos do Brasil e do exterior, e principalmente aprender com professores de musica do mundo inteiro, tive aula com um russo, uma taiwuanesa. É uma experiência incrível.

Tamie – Como você ficou sabendo da Oficina de Musica de Curitiba? E por que resolveu se inscrever?
Ivan – Fiquei sabendo da oficina pela primeira vez em uma propaganda de televisão. Eu resolvi me inscrever, pois queria ter aulas com professores renomados e porque pretendia fazer a faculdade de Belas Artes do Paraná, com isso queria conhecer o nível dos estudantes.

Tamie – Por que você desistiu da faculdade de Belas Artes, e escolheu um curso tão diferente que é Biologia?
Ivan – Para se fazer uma faculdade de Belas Artes o estudante precisa dispor de muito tempo. Além de que a profissão não te rende muito futuro, em questão de trabalho, por exemplo: Ou você monta uma escola de musica provada, ou você tem que fazer várias especializações para poder prestar um concurso do setor público de ensino. Também concertistas não são tão bem remunerados se não forem excepcionalmente bons. A música não tem um grande reconhecimento no Brasil.

Tamie – Qual é a sensação de se fazer um recital de piano?
Ivan – Bom quando você está esperando para entrar no palco você fica nervoso, isso é normal. Mas acho que ainda é pior quando você está tocando para estudantes e professores de musica, pois se você errar eles percebem. No festival tem um exercício chamado MasterClass, onde alguns alunos tocam diferentes obras e o professor auxilia na interpretação, técnica, e também nos dá embasamento histórico sobre a composição.

Para mais informações sobre a Oficina de Musica de Curitiba, que acontece sempre no começo do ano: http://www.oficinademusica.org.br/

terça-feira, 25 de março de 2008

Entrevista com a vestibulanda Eduarda Freire Gomes

O porvilho do povo foi entrevistar a estudante Eduarda Freire Gomes que está no terceiro ano do ensino médio da Escola Doutor Xavier da Silva em Curitiba.Ela nos fala da dificuldade que passa já no começo do ano para se preparar para o vestibular da Universidade Federal do Paraná nesse ano.

Você sempre estudou na sua escola atual?

Eduarda- Não.O ensino fundamental eu fiz no Escola Estadual Professor Brandão e O 1° e 2° ano do ensino médio na Escola Estadual Loureiro Fernandes então esse ano eu fui para a escola Doutor Xavier da Silva.

Por que você mudou de escola?

Eduarda-Porque eu soube através de amigos que era muito fraco o terceirão na escola Loureiro Fernandes.

Com mais de dois meses de aula como você está se sentindo em relação ao ensino da escola estadual Doutor Xavier da Silva?


Eduarda-Nossa! Muito despreparado.Nós nem temos aula direito. A maioria dos professores não sabem ensinar a matéria. Um dia desses a professora de inglês não soube nos dizer como era rato em inglês.É um absurdo.Tem dias que só temos meia hora de aula ou temos apresentação de mágicos no pátio. Tenho uma amiga que faz um cursinho particular e ele diz que os professores já passam um monte de exercícios para eles fazem enquanto nós nem matéria é dada.

Você acredita que conseguirá passar no vestibular da Federal?

Eduarda- Sinceramente não.Vou tentar mesmo para não ser covarde. Sempre estudei em colégio público e percebo que os pobres não têm recursos suficientes para entrar em uma boa universidade, diferentemente de quem tem condição. Apostilas, livros, exercícios, atenção dos professores, acesso a revistas e jornais de boa qualidade são coisas que fariam diferença para gente se tivesse isso na escola.Claro, sabemos que existem as cotas, mas é muita gente para pouca vaga. O jeito vai ser eu encontrar um emprego e quem sabe desistir de estudar.

Eduarda Freire Gomes vai tentar vestibular para administração de empresas.Ela nunca reprovou, tem as melhores notas da sala mas admite não saber escrever corretamente.

Repórter Simone Vitorino

segunda-feira, 24 de março de 2008

Entrevista Tuca e Mell

por Karina Mancini

Káh - TUCA E MELL, NOME DAS DUAS, E COMO SE CONHECERAM?
Ursula Pedrosa Milan (Tuca) e Melissa Pazzanese (Mell)Estudamos juntas desde o jardim da infância ao ginásio.

Káh - LI QUE MELL FOI PARA SALVADOR COMO FOI ESTA IDA?
M: Fui para Salvador porque eu tinha passado umas férias lá e curti muito, só que as meninas que foram comigo estavam todas indo de mudança, aí pirei na idéia e fui. Foi massa, a Bahia é maravilhosa e foi lá que comecei a tocar. Fiquei durante 5 anos e agora tamos aí.

Káh - TUCA VC FEZ SAPATEADO, PORQUE ABANDONOU A DANÇA?
T: No sapateado descobri o ritmo e encontrei meu beat, saca? Parei de sapatear para me dedicar à música. Vira e mexe coloco meus sapatos, sinto vontade de treinar como antes, mas agora tô “sapateando na batera”....rs

Káh - PORQUE O HIPHOP, POR QUE O BREAK BEAT?
T: As portas que se abriram (e continuam abrindo) para nós dão no mesmo lugar: Cultura Hip Hop. Não planejamos muito as coisas, vamos sentindo e fazendo o que gostamos. As pessoas são acolhedoras e nos respeitam à beça, o Hip Hop, nos deixa à vontade para fazer o que dá na telha.
M: Apesar da gente ter entrado nesse mundo sem se programar, foi uma coisa que agente de identificou muito porque é um Movimento que une as pessoas e gira em torno da Paz, o verdadeiro Hip Hop é esse. É um movimento de periferia que retrata a maioria da população de São Paulo, e o povo ta querendo Paz, Paz sem Miséria.
O Hip Hop Salva!

T&M: Break Beat? Sabe aquela parte da música que é a melhor? Fazemos disso as nossas, todas as partes são as melhores!!! rsrs Ainda mais quando a galera está dançando, não podemos deixar a vibe cair, tem que ser só pancada, uma trás da outra senão você corta o barato, e as pessoas não sentirão a energia dos tambores.

Káh - QUAIS SÃO AS INFLUÊNCIA DE VOCÊS?
T&M: Escutamos vários sons, Pixinguinha, Led Zeppelin, James Brown, Airto Moreira, Hermeto Pascoal, Primus, Michael Jackson, Orquestra Tabajara, Edson Machado, Miles Davis, e assim vai...

Káh - O QUE VOCêS CURTEM MUSICALMENTE, NO HIPHOP, QUAIS GRUPOS...?
T&M: Run Dmc, Krs-One, Expressão Ativa, Afrika Bambaataa, Xis, N Dee Naldinho, Racionais, Consciência Humana, Trilha Sonora do Gueto, Gênias do Rap (um grupo lá de Paraisópolis da hora!) e recomendamos “Quadrilátero” os caras são muito bons, é massa...!

Káh - NO HIPHOP HÁ MUITO MAIS DISCRIMINAÇÃO COM A MULHER..VOCÊS JÁ PASSARAM POR ALGUMA SITUAÇÃO?
T&M: Uma vez no Universo Feminino do Hip Hop, em Porto Alegre....Montamos todos os equipamentos e quando fomos falar com o técnico para começar a passagem de som, ele disse que tinha que esperar os bateristas chegarem....

Káh - NO ANIVERSÁRIO DE SP, VOCÊS ACOMPANHARAM O XIS PARA UM PÚBLICO DE 250 MIL PESSOAS COMO FOI ESTA EXPERIENCIA, E COMO FOI A PARCERIA COM O XIS?
T&M: O Xis nos viu no Documentário Agosto Negro e logo na seqüência uma apresentação nossa na Festa de lançamento. Gostou e nos convidou para fazer esse show. Ele é uma pessoa massa e nos deu toda liberdade para criar as bases.
Foi emocionante ver tanta gente curtindo o som que vc ta fazendo ali do palco. Como os Racionais falaram: “...Nada como um dia após o outro dia...” Pode ser que ele nos chame de novo, pode ser que não.

Káh - DEIXEM SEU SALVE PARA TODA A GALERA...
T&M: Mandamos esse salve para toda a galera que tá unida na luta por um Mundo melhor. Paz, Amor, Respeito e Jah,

sexta-feira, 21 de março de 2008

Um "Bate-Papo" com a Be.

Por: Gael Gonçalves

Hoje conversei com a estudante de Pedagogia Belisa S.
leia nosso "papo!

Gael diz:O que você faz da vida?
Be diz:Varias coisas, estudo e trabalho...

Gael diz:Quais as suas expectativas pra 2008?
Be diz:Bom,eu espero poder terminar o ano sem nenhuma final na faculdade

Gael diz:Você está estagiando?
Be diz:Sim na área de apoio pedagógico de uma escola

Gael diz:Você acha que falta incentivo da instituição em relação a palestras e cursos?
Be diz:Da faculdade ou do estágio?
Be diz:Uma pergunta por vez!
Gael diz:da faculdade!
Gael diz: o.k,me desculpe!
Be diz:Não
Be diz:Eu acho que não
Be diz:A faculdade não divulga palestras,cabe ao aluno procurar saber aonde estão acontecendo cursos ou palestras

Gael diz:E como você vê essa relação faculdade aluno?
Be diz:Basicamente como um contrato...

Gael diz:E o que levou você a escolher esse curso?
Be diz:Ainda não sei exatamente,mas acho que o campo da pedagogia é muito vasto, muito além da educação infantil podemos atuar desde escolas até empresas,por isso me atraiu

Gael diz:Muito obrigado pela entrevista!
Be diz:Por nada!

Essa foi a entrevista de hoje sob o "olhar" da estudante em relação ao curso,faculdade,trabalho e estágio.

Frase do Dia:
A paz vem de dentro de ti próprio, não a procures à tua volta.
(Buda)


Desejo a todos um otimo final de semana (Feliz Páscoa) e até o próximo post!
E não esqueça deixe aqui sua crítica,seu comentário,seu recado...Obrigado!

Sem troca de ovinhos

Por Sheila Gorski

No feriado de Páscoa 11 mil veículos deixam Curitiba e vão rumo ao litoral. Muitas compram ovos de Páscoa de última hora. Mas há as que seguem a tradição católica e participam da missa do lava pés, jejuam na sexta-feira santa, vão à missa do fogo e a da Páscoa. Para as outras religiões é um pouco diferente.
Confira a entrevista com Antonia Figueiredo, que até os 62 anos era católica e hoje, aos 76 anos, explica como é a Páscoa para os Testemunhas de Jeová.
Ouça aqui.

quinta-feira, 20 de março de 2008

Catadora do CIC dá exemplo de cidadania

Por Anderson Leandro

A realidade urbana oferece inúmeras alternativas para aqueles que em lugar da agonia preferem lutar pela sobrevivência com dignidade. Olhar a experiência de pessoas humildes e divulgá-las pode influenciar projetos, políticas públicas e novas formas de encarar a realidade.
Roseli da Silva Souza, 47 anos, é catadora de papel na região do CIC e Santa Quitéria e percorre todos os dias em média 50 quilômetros para garantir o sustento da família. Um exemplo de pessoa que na miséria levanta a cabeça e dá a volta por cima.

Anderson Leandro: Como começou a catar papel?
Roseli da Silva Souza: Comecei depois que eu fiquei desempregada. A firma faliu e eu não tinha outro recurso para sobreviver, levava currículo nas firmas, mas não era chamada. Aí eu consegui uma carriolinha e comecei.
AL: Como foi o primeiro dia de trabalho?
Roseli: Eu tinha vergonha porque falam mal dos catadores. Mas com quatro filhos eu não tinha alternativa e precisava arrumar o que comer. Foi a única maneira de eu garantir o pão de cada dia em casa.
AL: Como você faz com os filhos?
Roseli: Eu arrumo eles de manhã e levo dois para escola e a menina e o mais novo para a creche. Não posso levar eles para o trabalho comigo porque é proibido. Falam que a gente está explorando as crianças, mas é melhor eles comigo do que na rua atrás do que não devem.
AL: O que você planeja para o futuro deles?
Roseli: Quero garantir uma vida melhor. Dar para eles o que eu não tive e não deixar eles passar necessidade.
AL: Como é ser catadora?
Roseli: Antes eu tinha vergonha, agora sou feliz. Trabalho com meio ambiente, limpo as ruas que os outros sujam e o material reciclável ajuda a melhorar o ambiente e me garante um dinheirinho. É pouco mais dá para as despesas. Ando de cabeça erguida, não devo nada para ninguém.
AL: O que as pessoas podem fazer para te ajudar?
Roseli: Que as pessoas ajudassem não entregando o lixo para a prefeitura, a gente vai pega e ganha o nosso dinheiro com dignidade, na cooperativa uns ajudam os outros. Agora tem gente que coloca o lixo na rua e mistura com caco de vidro, assim a gente se machuca. Acho que podiam ajudar.
AL: Obrigado Roseli.

Renato - ator que foi em busca de seus sonhos

por Tamie Ono Lôr

O ator Renato Jachinoski está atuando no Festival de Curitiba, em três peças: Eu Quero Sexo 7, Um Passo a Mais na Escuridão e Peter Pan. Além de representar ele ainda é responsável pela iluminação das peças Peer Gynt e Loucas, Nervosas e Furiosas.

Desde cedo Renato gostava dos palcos, sempre foi seu sonho ser ator, incentivado pela mãe e o avô. Com apenas 10 anos ele apresentou sua primeira peça chamada As férias do Lobo Mal, na escola Marina Machado. Na oitava série no colégio Positivo Ambiental, surgiu uma nova oportunidade de fazer teatro na escola, dois anos mais tarde, Renato entrou para o Teatro Lala Schneider, onde continua até hoje.


O Festival de Teatro de Curitiba passa por mudanças esse ano, a principal mudança pode ser vista no nome que perdeu a palavra teatro, para mostrar nesses 10 dias também exposições, usina de idéias (oficinas e debates), espetáculos de dança, ilusionismo e é claro teatro. Desde 1992 já foram apresentados 1607 espetáculos para mais de 102 milhões de pessoas.

Vamos saber mais sobre Renato Jachinoski, o que ele acha das mudanças no Festival, o rumo do teatro no Paraná, como é a sua atuação e sobre o ensino na Escola de Teatro Lala.

Tamie - Você fez teatro de colégio no Positivo, depois virou aluno da escola Lala Schneider. Quais as principais diferenças de formação e ensino, já que uma é um ensino extra curricular e a outra é dedicada a formação de profissionais?
Renato Jachinoski - A grande diferença é que no Lala temos aulas com diversos professores inclusive de técnicas corpóreas e historia do teatro. Sendo que no Positivo era apenas uma professora mas que geralmente dava em suas aulas técnicas de improviso e de jogos cênicos.

Tamie - Qual a preparação com relação ao trabalho corporal e de voz, que vocês têm antes de entrar no palco?
Renato – No curso temos aula com professores de voz e corpo. Contudo a preparação antes do espetáculo fica por conta de cada ator, eu gosto de estar pronto antes pra poder fazer um bom aquecimento, principalmente vocal onde fica meu maior problema.

Tamie - Qual é o maior desafio quando você está em cima do palco?
Renato – Acho que um desafio é manter a concentração durante o espetáculo. Faço o possível pra ficar concentrado, mas sou muito disperso qualquer coisa me chama a atenção.

Tamie - Renato você já vez peças infantis no Lala e no Positivo, e como sabemos as crianças levam a sério a fantasia do palco, tanto que na saída, os atores costumam cumprimentar os baixinhos, qual a sensação de apresentar e receber atenção dos pequenos?
Renato - No teatro para crianças o ator tem que ser muito mais responsável, pelo simples fato de que a criança acredita que você é um bicho ou então algum outro personagem. Coisa que no “teatro adulto” não acontece porque a pessoa sabe que aquilo não é a realidade e sim um ator em um palco. Com a criança você tem que ser muito sincero. O reconhecimento é sempre bom, mas quando vem em forma de sorriso de uma criança é melhor ainda.

Tamie - Faz seis anos que você se apresenta pelo Lala, qual é a sua peça favorita e por quê?
Renato - Difícil de escolher apenas uma peça que tenha marcado. Vou falar de duas que nunca vou esquecer. A primeira se chama O Despertar da Primavera do dramaturgo alemão Frank Wedeking dirigida por Mateus Zuccolotto, foi com essa peça que eu ganhei o premio de ator revelação, acho que uma das melhores sensações. E a segunda se chamava Crimes e Comedias com direção de Rogério Bozza e texto de João Luiz Fiani, era uma peça muito engraçada, e o que marcou não foram as apresentações ou um premio, foi o relacionamento entre os atores, a cada ensaio parecia ser mais prazeroso fazer o espetáculo. Acabamos ficando em terceiro lugar do festival interno do Lala e voltamos em temporada no badalado horário da Meia Noite.

Tamie - Os alunos do Lala além de apresentar, muitas vezes precisam aprender a desmontar cenário. Contudo você foi mais além, aprendeu a trabalhar com iluminação e sonorização de peças, o que te levou a isso?
Renato – A iluminação sempre me causou certo fascínio, e quando surgiu a oportunidade de acompanhar de perto a montagem da luz para um espetáculo não tive duvidas agarrei a oportunidade.

Tamie - O festival de Curitiba esse ano, não é apenas dedicado ao teatro, tanto que houve até uma reformulação no nome, o que você achou dessa mudança?
Renato - O festival esse ano esta de cara nova, pelo menos isso é o que diz o diretor geral do festival, acho que essa cara nova que ele se refere não é para melhor. Tenho que admitir que o número de peças aumentou mas em contrapartida as propagandas diminuíram, os ingressos ficaram menos acessíveis e as tais melhorias ainda estão sendo esperadas.

Tamie - Outra mudança em relação ao festival de teatro foi o local de venda dos ingressos, que esse ano está sendo realizado no shopping Barigui, muitas pessoas que costumam ir ao festival reclamaram da bilheteria ser distante do centro, porque houve essa mudança? As peças estão sofrendo com isso, já que não há muitas peças esgotadas ainda?
Renato - O festival esta perdendo muito publico, o shopping Barigui é um lugar elitizado, a justificativa diz que o shopping não tem estacionamento pago. Mas se você não tiver um carro não vai chegar lá, no ano passado nessa época (3 a 4 dias antes do festival) já existiam vários espetáculos com a lotação esgotada e hoje não, tem peças que não tem nem 5 ingressos vendidos. Isso vai acabar gerando uma quantidade de filas desnecessárias nas portas dos teatros a procura de um ingresso.

Tamie – O que você acha do teatro no Paraná, você acha que tem gande divulgação?
Renato – O teatro no Paraná esta evoluindo com certeza, mas a divulgação é completamente precária. Os meios de comunicação certos para a divulgação não apóiam, acabam sempre divulgando uma peça de um “Global” e esquecendo das produções curitibanas.

Tamie - A peça Eu quero sexo, é sempre um sucesso de público, não é a toa que está na sua sétima edição, do que ela trata? E porque ela atrai tanta gente aos teatros?
Renato - A peça é muito divertida, desde a entrada da platéia até a ultima fala, o histórico realmente é muito bom, sempre com o teatro lotado em virtude disso acabamos indo para um teatro maior, o teatro Fernanda Montenegro. A peça fala principalmente sobre as duvidas e como as pessoas encaram o sexo.

Tamie – As peças um passo a mais na escuridão, Experimento troiano e Peer Gynt, fazem parte do projeto Work in progress, você pode explicar qual é a idéia do projeto?
Renato - O Work in Progress é um projeto que visa principalmente à montagem de peças (não comedia). Procurando buscar autores menos conhecidos como é o caso de Um Passo a Mais na Escuridão que é baseada na obra de Edgar Alan Poe. Antes dos ensaios começarem ouve uma discussão, pesquisas e um trabalho de mesa bem bacana.

Tamie - Quais são as peças que você indica que fazem parte do Festival?
Renato - Estamos com 20 peças em cartaz! Alem do Eu Quero Sexo 7 e Um Passo a Mais na Escuridão tem também Cleópatra, O Noviço, Coração de Gás Néon. Para as crianças Peter Pan e Era Uma Vez.

Para mais informações sobre o festival: http://www.festivaldeteatro.com.br/ftc2008/index.asp
Sobre o teatro Lala Schneider: http://www.teatrolala.com/
Fotos: Tamie Ono Lôr

http://br.youtube.com/watch?v=zqWBloD9L6I

terça-feira, 18 de março de 2008

Entrevista da Semana

Por Gisleine Moreira
Para ouvir clique em Entrevista

segunda-feira, 17 de março de 2008

Mc Hurakan

Entrevista com o rapper curitibano Hurakán MC eclético culturalmente e que credita que a inspiração vem na forma de um bom instrumental. Com algun anos de estrada dentro do Hip Hop, o MC curitibano, de voz rouca e rimas simples e marcantes, fala um pouco sobre sua trajetória, projetos e também sobre pirataria.

Káh: Todo mundo tem uma história dentro da cultura de rua. Quando e qual foi seu primeiro contato com o Hip Hop?

Hurakán: Mano, é meio difícil de dizer exatamente quando eu tive o primeiro contato com o Hip Hop, mas, foi em meados de 94 mais ou menos. Quando eu voltei do Rio de Janeiro pra Curitiba em 91, eu já conhecia algumas coisas como Áfrika Bambaataa e JJ Fad, por exemplo, mas não tinha ciência do que era o Hip Hop ainda. Porém, eu lembro que em 94 eu conheci o Yo! MTV Raps, na época em que era apresentado pelo Primo Preto. Esse foi meu primeiro "estalo" pra começar a entender o que era o Hip Hop.

Káh: Quais foram seus primeiros projetos? Deram certo? Até que ponto?

Hurakán: Foi o grupo Comunidade Racional, meu primeiro trabalho a dar certo. Lançamos uma fita K7, em 97, intitulada "U.N.I.A.O" e posteriormente lançamos um CD intitulado "O Primeiro Contato" que saiu em 98. Da fita foram feitas 300 cópias e foram vendidas todas. Do CD foram feitas 1000, mas sobraram algumas cópias conosco, em torno de 100 cópias. Pra mim deu certo. Rendeu tudo o que poderia na época. Tocávamos bastante, tínhamos um público grande e fomos a primeira banda de rap de Curitiba a levar o nome da cidade pra outras cidades, como São Paulo e Porto Alegre.

Káh: Nesse tempo de estrada, qual seu melhor momento dentro do RAP?

Hurakán: Houve alguns momentos muito bons. Mas, o mais marcante e mais recente, sem dúvida, foi no lançamento da coletânea da Boomshot, no SESC Ipiranga em São Paulo. Foi o momento mais alto da minha carreira solo.

Káh: O RAP hoje tem vários adeptos em todo o mundo. O que você acha que não precisaria existir dentro do RAP?

Hurakán: O que não deveria existir eu não sei, mas o que deveria existir, em maior quantidade, são os ouvintes e fãs de rap, consumidores de rap. Pois o que eu vejo, aqui no Brasil, é que nosso ciclo tá fechado aos grupos, quem compra tem grupo, quem vai em show tem grupo, todo mundo quer ser artista, mas, ninguém é público.

Káh: Das pessoas que participaram de seus trabalhos quais foram as mais importantes?

Hurakán: Sem dúvida foi com o Nairobi, MC aqui de Curitiba. Nosso som juntos saiu na coletânea do DJ Caique que se chama Coligações Expressivas, lançado em 2006.

Káh: O que tem ouvido atualmente?

Hurakán: O disco do Nicolay chamado "Here" (que já tá quase gastando), uns dubs dos anos 70 e 80 e também alguns RAPs de 94 e 96.a verdadeira Golden Era.

Káh: O tempo mudou a sua forma de escrever?

Hurakán: Com certeza absoluta, mudou sim. Não só o tempo, mas o meu amadurecimento pessoal me trouxe um amadurecimento musical.

Káh: Você acha que o RAP brasileiro corre o risco de ficar igual ao americano? Aquele que fala só de festa, mulher, carro, droga e dinheiro?

Hurakán: Isso nunca vai acontecer, a não ser que algum dia o Brasil se torne mais rico e mais fútil do que os EUA.

Káh: O SMD, novo formato de suporte de mídia física, é mais barato que o CD, você acredita que essa seria uma alternativa para driblar a pirataria?

Hurakán: Não acho que um preço mais barato seria uma saída, mesmo porque o preço de fabricação do SMD é quase o mesmo do CD prensado, com uma única diferença, no SMD pode ser feita uma quantidade pequena enquanto o CD prensado tem o mínimo de 1000 cópias iniciais. E o CD prensado pode ser vendido a qualquer preço, enquanto o SMD tem o preço máximo pra venda, de R$ 5,00. Aí tem que ver o compensa mais.

A saída pra isso, no nosso caso (artistas independentes), seria uma educação do público. Só isso pode salvar o CD, mas, é claro que um preço baixo e uma boa distribuição ajudariam muito a reduzir a pirataria. Mas o MP3 já se tornou um hábito difícil de mudar.

É isso ai: Paz, amor e união e diversão galera

Entrevistas

Por Felipe Harmata Marinho

Nessa semana os alunos postam entrevistas. A idéia é trabalhar com diversos formatos (texto, áudio e vídeo) e que o entrevistador nos leve a conhecer o máximo sobre o entrevistado e/ou tema abordado.

sexta-feira, 14 de março de 2008

Panos quentes

Por: Juliana Antunes

De acordo com pesquisa realizada pelo Sindesp (Sindicato das Empresas de Segurança Privada) há cerca de 1500 empresas de segurança privada e mais de meio milhão de vigilantes regularmente empregados no Brasil, seria este número tão grande devido ao fracasso da segurança pública em nosso país? Para alguns pesquisadores, como Durkheim, o crime é um fato comum em qualquer sociedade. Mesmo sendo verdadeira, esta afirmação causa desconforto à população. Por que crimes são comuns, se temos quem nos proteja? Pois bem, mesmo se a segurança pública combatesse pelo menos 80% dos assaltos diários, ainda assim 20% sofreriam com a violência. Chegamos então à conclusão que a segurança pública não é 100% eficaz. Vítimas sempre existirão, mas caberá aos cidadãos reduzirem as possibilidades de assaltos e outros crimes.

Em Curitiba as empresas de segurança privadas, somam mais de 20, fora os seguranças terceirizados ou aqueles que trabalham como vigia por conta própria (chefes de seu próprio negócio). Neste meio há muito emprego informal, sem careteira assinada. Este é o caso dos seguranças de casas noturnas. Muitos trabalham para complementar o salário (o famoso bico), recebem por noite trabalhada e não possuem vinculo com o estabelecimento.

Pois bem, devido a esses casos de trabalho informal não foi possível à prisão em flagrante de um segurança no ultimo dia 16/02 um sábado. Um adolescente de 19 anos foi brutalmente espancado por um segurança em uma casa noturna, localizada na Avenida Batel. Rapidamente após bater no jovem o segurança fugiu do local sem deixar rastros. A casa noturna alegou não estar “a par” da situação e que naquele momento não haveria nenhum chefe de segurança para falar sobre o caso. Este não é o primeiro e nem será o ultimo caso, como informa o policial militar Campos. “Todo final de semana esta história se repete, vamos atrás do segurança acusado e cadê ele? Já não é a primeira vez que isso acontece, infelizmente a lei favorece os culpados, infelizmente” conclui o policial.

Na maioria das vezes esses seguranças de bares e casas noturnas não têm nenhum treinamento específico, por isso agem com tanta brutalidade. Existem cursos de defesa pessoal e alguns específicos para essas pessoas que atuam com público diferenciado. Para Cristiane Broza, segurança feminina de uma famosa casa noturna, na maioria das vezes o contratante não oferece nenhum auxilio. “Eles só perguntam se temos alguma experiência com o público e fica por isso mesmo” diz Cristiane. Em algumas casas noturnas não há qualquer norma para contratação dos seguranças, isto é, não são preenchidos formulários que oficializem o trabalho do empregado ou da terceirizada. Ainda de acordo com Cristiane, ela afirma já ter visto colegas de trabalho portando armas de fogo, sem nem ter o porte legal. “Eles costumam dizer que se a coisa ‘apertar’ a arma resolve” conclui.

No Paraná as empresas de segurança privada associadas ao Sindesp somam 70, mas o mercado informal preocupa o sindicato, pois o número de empresas clandestinas supera em 30% número dessas empresas regulares. É uma realidade preocupante, se levada em consideração o risco de contratar agentes despreparados para zelar segurança de pessoas. Estas empresas irregulares não possuem treinamentos específicos exigidos pela Polícia Federal, não priorizam antecedentes criminais, muito menos fazem exames de saúde física e mental com seu contingente. O primeiro passo para que essas empresas saiam do mercado e os contratantes possam confiar nos serviços prestados, é um projeto de lei, mas como isso ainda demorará devido ao sistema com que o nosso pais cuida da segurança. Então uma medida a médio prazo é antes de contratar algum serviço privado, conferir se ela pertence a lista de empresas legais e liberadas pela Policia Federal para atuar.


Veja abaixo as empresas de SEGURANÇA PRIVADA que são associadas ao SINDESP-PR

- Crédito da foto.

quinta-feira, 13 de março de 2008

Culturas diferentes, uma cidade só

Por Gisleine Moreira
Um diálogo entre três cidadãos brasileiros.
O gaúcho
- Mas “bah” guri! Na minha terra têm, churrasco, chimarrão, cucas variadas dentre muitos...
O baiano
- “Oxente bichinho”, na minha tem vatapá, caruru, mungunzá....
O Curitibano cabisbaixo responde
-Ehhh........ Na minha ?! Ummm, bem....
- Aqui eu vi uma reportagem da RPC que típico para comer, e coalhada com mel em uma confeitaria que fica lá na XV, ou Carne de Onça no bar de um tal de Edmundo.
- Carne de Onça ???? perguntaram os dois.
-É! (Respondeu o curitibano) Masssssssss eu nem sei bem o que é isso, e se realmente é feito de onça. Não sei nem quem é o Edmundo!
-Que barbaridade guri, tu não sabe nada da tua terra.
- Ah! Não seja injusto sei sim quer ver?
-Manda (replicou o baiano).
- Curitibano, chama estojo de penal, salsicha de vina, mandioca de aipim, as “meninas do Estar de periquita” e por ai vai.
-Ah Curitiba! Tem uma banda muito boa também que chama Blindagem, inclusive o Ivo que é da banda, é meu camarada.
-Que mais você sabe rapaz?
-Bem......é.... é..... ummmm... deixa eu pensar....
O baiano e o gaúcho se entreolharam, e um deles se manifestou:
- Xi!!!!!! Rapaz, se eu e meu amigo gaúcho aqui começarmos a contar as tradições, o jeito de falar e as bandas dos nossos estados, nós vamos demorar nesse papo.
-É verdade! E depois ao que me consta à narradora dessa história andou por ai conversando com algumas pessoas sobre esse tema.
-Mais que barbaridade guri, até que enfim vocês lembraram de mim. É verdade eu quero falar sim.
Pois bem minha gente, conversando aqui, ali, por cá, por acolá, você acaba descobrindo a opinião das pessoas sobre esse tema, que quase nunca está em pauta. Dentre algumas conversas destacam-se duas. Uma é do professor Emerson Cervi, para ele a “pobreza” de cultura nesta cidade, é porque tudo por aqui aconteceu meio que na “canetada”. “Não se precisou lutar por nada, então o povo não forjou a sua cultura local”. Isso pode explica porque o curitibano sabe tão pouco da sua “identidade” e por isso não ter tanta importância na mídia.
Paulo Camargo, jornalista da Gazeta do Povo, tem uma visão mais otimista de que isso está mudando, e coisas que o curitibano produz, como o Festival de Teatro começam e ter uma brecha, nos grandes veículos de comunicação. "Alem de Curitiba, outras cidades como Manaus e Belo Horizonte não tem a produção cultural divulgada. Isso porque os meios de comunicação e produtores de cultura de massa estão no Rio de Janeiro ou em São Paulo. A grande mídia não cria uma identidade com a cultura da cidade, foca o que se produz no eixo Rio- São Paulo” declara.
-É meus amores, desse jeito acabamos sendo uma cidade de várias culturas. Que consome a produção nacional em grande quantidade e que não delineou a sua própria.
E você ai do outro lado da telinha o que acha disso? Comentem.
-Bom vou ficando por aqui, porque os piás já me abandonaram. Foram procurar o bar do Edmundo para provar da tal Carne de Onça e beber umas Cervejas. Eu que não sou boba nem nada to indo para lá, como eu já sei o caminho chego antes deles, hehehehehe. Até a próxima pessoal!





Curiosidades e Manias dos "curitibocas" entre em http://www.geocities.com/curitibahoje/curitibamanias.htm
Crédito Imagem: http://wolverineresponde.blogspot.com/2007/12/preconceito-onde-voc-guarda-o-seu.html

Geração de emprego e renda merece mídia

Por Anderson Leandro

Um campo aberto para jornalistas e trabalhadores da comunicação explorar é o campo das iniciativas populares de combate à fome e a miséria e projetos de geração de emprego e renda. Iniciadas nos anos 70 em movimentos contra a fome e a carestia estas frentes de renda florescem de norte a sul do país, garantem emprego e soluções alternativas de agricultura e economia solidária.
Sem ser vistas pela mídia existem em Curitiba 38 padarias comunitárias que garantem renda para centenas de mulheres idosas que antes estavam fora do mercado de trabalho e encontraram na economia solidária uma forma de garantir o seu sustento e de suas famílias. Igualmente existem na periferia da cidade programas de hortas comunitárias, cooperativas de catadores de papel, grupos de costureiras e até empregados que resolveram assumir a massa falida de uma metalúrgica e hoje a gerem em forma de cooperativa. Ações que contam com apoio governamental e que ajudam a diminuir deficiências alimentares e de renda de famílias carentes da cidade.
Para o jornalista Anderson Moreira do Centro de Formação Urbano Rural Irmã Araújo, organização que trabalha com grupos de geração de emprego e renda na capital, a mídia não vai abordar estes temas porque muitas vezes é denunciado o modelo capitalista como causador do problema e como a imprensa trabalha para este ela não vai retratar temas que vão contra os interesses dela. “É difícil que programas de geração de emprego e renda estejam na mídia porque esta apenas se interessa em assuntos burgueses. Hoje no Globo.com saiu uma matéria de como se dá bem o funcionário padrão do Mc Donald’s e isso mostra que para eles o que interessa é isto: sistemas padronizados e funcionários que trabalhem muito para ganhar pouco” conta Moreira. Isto explica um pouco a posição da mídia, conclui o jornalista.
Antonio Bez da Associação de Padarias Comunitárias de Curitiba diz que a mídia sempre esteve ao lado do capital, ela é favorável ao agronegócio e do lucro a qualquer preço. “Um dia eles vão ver que a solução esta na distribuição de renda, na geração de emprego e na agricultura sustentável” afirma Bez. Para fazer isto só se a mídia se converter e nisto eu não acredito diz o coordenador da associação.
A ausência deste tipo de iniciativa na mídia faz com que ela se torne apenas um mero repassador de informações não cumprindo uma função social importante que é a de mostrar para a sociedade que um outro mundo é possível e necessário. Ao dar visibilidade para o consumo consciente e para a solidariedade a mídia estaria a forjar novas relações sociais e a contribuir com a melhoria de condição de vida de toda a sociedade. Mãos a obra!

quarta-feira, 12 de março de 2008

Ritmo Alternativo Protestante

Por: Karina Mancini

O hip-hop surgiu no final da década de 60, nos subúrbios de Nova Iorque. Estes subúrbios eram verdadeiros guetos e enfrentavam todo tipo de problemas como violência, racismo, pobreza, tráfico, carências de infra-estrutura, de educação, entre outros. Os jovens encontravam na rua o único espaço de lazer, e geralmente entravam num sistema de gangues, as quais se confrontavam de maneira violenta na luta pelo domínio territorial.

Surge então Afrika Bambaataa que logo se tornou o pai do hip-hop, espalhando consigo o lema paz amor união e diversão. Neste contexto nasciam diferentes manifestações artísticas de rua, música, dança, poesia e pintura, o que resultou nos quatro elementos que formam cultura.

O hip-hop brasileiro é único, apesar de ser um movimento originário das periferias norte-americanas, não encontrou barreiras no Brasil, onde se instalou com certa naturalidade. O movimento no Brasil é híbrido, com traços evidentes da cultura nacional, tem rap com um pouco de samba, break, parecido com capoeira e grafites de cores muito vivas.

Apesar do hip-hop ser um espaço que permite aos jovens das periferias se inserirem na sociedade de forma politizada e crítica, a imagem dos jovens ligados ao movimento nem sempre foi positiva. Os meios de comunicação construíram imagens e representações de uma forma muito negativa.

Sejam brancos ou negros muitos jovens brasileiros têm encontrado no movimento uma esperança, o hip-hop tem um lado político forte, de conscientização. Eles se organizam cada vez mais para que possam criar alternativas para os jovens não caírem na criminalidade ou nas drogas.

Um exemplo é o grupo Agamenon, Mc Bigge faz parte do grupo que é integrado á então chamada família Track Cheio, a produtora independente deles em Curitiba. Os integrantes são: os grupos Agamenon e Savave, os Mc’s Cabes, Murf, Capta, Adeladja e os Dj’s Peen e Moreno.

Eles são realmente uma família, trabalhando em prol do rap, tentando criar formas de difundir essa cultura em Curitiba, já que aqui o espaço é bem limitado eles tentam fazer a diferença com um som de qualidade, trabalhando, estudando musicas e produções.

O importante para o hip-hop no Brasil hoje é abrir espaço não só para os que já estão na mídia, mas principalmente para novos talentos, para o alternativo, para o selo independente. Afinal, a cultura chegou há pouco tempo por aqui e muitas pessoas não conhecem, principalmente quando se fala em rap alternativo, e é por ser novo que tende a crescer muito.

O incentivo precisa vir do povo, da cultura de massa, precisamos de uma estação de rádio, de um canal voltado só para o hip-hop, em Curitiba isso ainda não existe. É preciso mais espaço para divulgar nosso trabalho, diz o Mc Bigge.

Existe um preconceito muito grande em relação ao rap, principalmente por que a mídia contribui muito com isso, mostrando só o lado ruim, aquele rap que fala de violência, sexo, drogas o que chamamos de gangstars, batidas mais pesadas rimas mais rápida e em alguns casos letras incentivando o uso de drogas e a vida no crime.

Não falam nada sobre a cena alternativa deixando de lado a verdadeira origem de tudo o que seria o lema de Afrika Bambaataa De qualquer forma sendo boa ou ruim a cultura está sendo divulgada e o que realmente vai permanecer é rap verdadeiro e não aquele que é feito para vender. O problema não está em quem faz o rap ou nas letras e im em quem ás escuta.

terça-feira, 11 de março de 2008

Bullying; pouca gente conhece

Por Rodrigo Bortot

O fenômeno conhecido como bullying, palavra oriunda do inglês “bully” assemelhando-se ao termo em língua portuguesa como “valentão” ou “machão”, caracteriza-se como um desses obstáculos ameaçadores, com o quadro característico de adolescentes excluídos e discriminados, agredidos e/ou machucados por outras pessoas.

Me refiro aqui às brincadeiras que não tem graça, aos apelidos inconvenientes, a amplificação dos defeitos estéticos, o amedrontamento, as gozações que magoam e constrangem, chegando à extorsão de bens pessoais, imposição física para obter vantagens, passando pelo racismo e pela homofobia, sendo “culpa” dos alvos das agressões, geralmente, o simples fato de serem “diferentes”, fugirem dos padrões comuns à turma – o gordinho, o calado, o mais estudioso, o mais pobre.

Este é um fenômeno devastador que atinge diretamente a auto-estima e a saúde mental do adolescente. Geralmente ocorre em pessoas mais suscetíveis ou vulneráveis a agressões verbais ou morais que lhes causam angústia e dor, principalmente quando ocorrido em ambiente escolar, traduzindo-se em uma forma de exclusão. Tais atitudes podem desencadear problemas como anorexia, depressão, ansiedade e até mesmo o suicídio.

Segundo Gisleine Moreira que passou por situações parecidas, isso é mais comum do que se imagina. “Você já deve ter ouvido ou até mesmo falado um famoso ditado "gorda baleia saco de areia", por mais inofensivo que isso pareça ser, agride quem é ofendido. Ninguém é gordo porque acha bonito ou tem isso como uma meta”, afirma.

“Minha reação sempre foi agressiva com as pessoas. Brigava por tudo. Na época minha heroína era a Mônica gorducha e dentuça. Me inspirei nela pra sair disso”, acrescenta Gisleine

Ainda de acordo com ela, quando criança, procurou ajuda de uma psicóloga com quem teve algumas sessões. “Mais tarde fiz um tratamento sério e três intervenções cirúrgicas para mudar minha aparência”, finaliza.

Segundo estatísticas da revista Raça isso é mais comum em adolescentes de 11 a 13 anos e hoje atinge mais de 45% dos estudantes do ensino fundamental. O fato é que vemos pouco isso na mídia, embora casos como este sejam muito comuns em escolas, faculdades e até ambientes de trabalho.

Por outro lado Suzana Possamai, da Rede Paranaense de Comunicação (RPC), tem outra opinião. “Isso sai na mídia sim. Lógico que não é frequentemente, pois procuramos fazer matérias após feitas denuncias. Do contrário não é interessante fazer matérias praticamente iguais”, disse.

A psicóloga infantil Luciana Gadelman acredita que o carinho dos pais é fundamental para ajudar a criança ou o adolescente, vítima do bullying, a lidar melhor com os sentimentos e enfrentar o problema da melhor maneira possível.

“O bullying é um comportamento que deve ser combatido desde cedo e logo que identificado, pois forma dois tipos de indivíduos em desequilíbrio. Um de extrema baixa estima, que relega as suas potencialidades em razão dos conflitos psicológicos acarretados pelo bullying. O outro é perverso, não aceita limites, não compreende a diferença e sente prazer em maltratar o seu semelhante”, afirma Luciana

Embora algumas pessoas defendam que a mídia da espaço para isso, de fato ele ainda é pouco. Procurei em alguns sites de jornais e em vários não encontrei uma matéria sequer relacionado a tal problema.

Brasil país do futebol, mas também de outros esportes

por Tamie Ono Lôr

Todo mundo diz que o Brasil é o país do futebol! Concordo com a afirmação, mas o Brasil também poderia ser o melhor no vôlei, judô, atletismo e etc... Entretanto os meios de comunicação especializados em esportes dão apenas destaque para o futebol. “Não há muito interesse por parte dos veículos de comunicação em fazer coberturas de outros esportes”, explica Edílson de Souza Barbosa, locutor de esporte da Rede Transamérica de rádio. Agora podemos nos perguntar porquê disso, será que não há interesse em divulgar outros esportes, ou não possui público, o Barbosa mesmo dá duas razões: A primeira é por questão de audiência, pois são desconhecidos e pouco praticados e a segunda afirmação é de que vivemos em um país capitalista, e só informam o que vende mais, quase ninguém quer saber se a pauta é boa ou ruim, desde que ela seja procurada.

Em ano de olimpíadas em Pequim, começam a surgir matérias específicas de alguns esportes, mesmo assim, os esportes mais desconhecidos são deixados de lado. “Dificilmente eu vejo matérias em cadernos de esportes ligadas a lutas como jiu-jitsu, muay-tai e boxe, quando quero mais informações acabo recorrendo à internet. Acho uma pena que esses esportes sejam discriminados.”, desabafa Lucas Lima, aluno de jiu-jitsu.

Algumas pessoas alegam que divulgar esportes de luta pode influenciar a violência, entretanto Lima diz que quando você está praticando, você se desestressa, “Você desconta a raiva na aula, não vai sair batendo em ninguém, além do que os conceitos desses esportes são outros, tem toda uma filosofia e respeito ao próximo, que é ensinado nas aulas”, conclui. A professora Ana Carolina, de educação física e judô nas escolas particulares, Positivo e Stella Maris acrescenta, “No judô você aprende a ter respeito com o próximo, além disso, no começo de cada aula, é preciso saudar o criador do esporte, o Jigoro Kano.”

Outros esportes como as lutas marciais, além de cuidar do físico do atleta, possui uma preocupação com a mente e o espírito, e com a cultura de origem, usando palavras do seu vocabulário. Por todos esses motivos seria importante que os veículos de mídia, procurassem divulgar mais outros esportes além do conhecido futebol.

segunda-feira, 10 de março de 2008

Escreva a dança nas agendas


Por Sheila Gorski


A bailarina Juliane Hey diz que: “se formar bailarina foi o dia da consolidação de um sonho de menina”. Para ela, entrar no ballet foi baseado nas histórias dos filmes, desejo de menina. Hoje, porém, quando deseja informações sobre dança, o máximo que se encontra é uma agenda cultural. “Na televisão o que aparece são grandes espetáculos ou um festival ou outro, como de Joinvile”.


Para explicar um pouco do porquê que a mídia não aborda tanto esse tema, Dulcineia Novaes, repórter da Tv Paranaense, explica que o gancho para matérias de dança são eventos extraordinários ou feitos de algum bailarino, como quando alguém vai para o Royal Academy of Ballet ou para a Broadway. “É inviável mostrar todos os espetáculos e eventos de dança, porque precisaríamos mostrar as academias, fazendo um tipo de propaganda. Agora imagine todas as academias pedindo para aparecer na televisão?”.


O mecanismo usado para agendar um pouco sobre a dança é a agenda cultural, onde é escolhido alguns espetáculos, na maioria de grande porte. “Por exemplo, se temos festas ucranianas, com dança folclórica, é mostrada a dança folclórica, mas fora dessa época não”. Dulcineia afirma ainda: “seria preciso achar alguma outra forma de abordagem para a dança que não caísse na propaganda para academias”.


Nesse texto estão presentes duas formas de agendas: a agenda cultural e a agenda setting. A agenda cultural normalmente vem com slogans do tipo: “confira a agenda que traz dicas de músicas, bares e espetáculos”, ou, “mais diversão para o seu dia com a agenda cultural”. A agenda setting é uma teoria de Maxwell McCombs e Donald Shaw que diz que: o jornalismo pauta a opinião pública, trazendo relevância a alguns temas e ignorando outros. “A televisão ainda deixa um pouco a dança e mostra mais a música e está começando a mostrar pinturas, como no cenário do Fantástico”, diz Dulcineia Novaes.
As agendas estão escolhendo a programação e o estilo cultural que as pessoas devem apreciar, não seria o caso de mudar um pouco esse foco?

Eu acho que "perdi" meu celular

por: Eduardo V. Leprevost

*Atenção, este post pode conter vocabulário próprio de metaleiro
A banda de metal pesado britânica, Iron Maiden, realizou na Pedreira, no dia 4, um show inesquecível para mais de 25mil pagantes. Valeu cada hora na fila frente ao calor e o cansaço. Foram tocados os maiores sucessos da banda, o que foi muito bem recebido por todos os maidens-maníaco presentes. Eu, como fiel representante dessa classe metaleira, não pude perder o óbvio. Combinei com amigos headbanguers o encontro na Pedreira e lá fomos a guerra. Ao chegar, fiquei um pouco perdido tentando achá-los em meio ao mar de camisas pretas do Metallica, Slayer, Cannibal Corpse, Motörhead e do próprio Iron Maiden que boiavam no local.

A noite chegava e o clima esfriava (graças a deus) e a multidão berrava em alto e bom som: O LÊ OLÊOLÊOLÊÊÊÊÊÊÊ MAIDEEENNN, MAIDEEENNN. Quem resiste a um coro assim?? Já ná música de abertura, aconteceu o fato que mais me chamou a atenção durante e após o show. O amigo que estava ao meu lado aparentemente perde o celular. Até ai tudo bem, se não fosse o fato de que mais duas pessoas ao nosso redor perderiam o celular no mesmo instante que ele. Achei muito estranho e esperaria até o final do show para ajudá-lo a procurar. Era o jeito. Com o passar das horas, o show foi terminando. Meus ouvidos estavam atordoados, corpo fud***,voz bem fraca e cérebro fora do lugar, e mesmo assim cumpri o que disse e fomos em busca do celular perdido. Quando pensava que só nós dois íamos virar a noite olhando para o chão procurando, mais umas 50 pessoas faziam o mesmo. Nos reunimos com algumas delas e, conversa vai, conversa vem, percebemos que uma onda de roubos se deu já na música de abertura. No mais anoitecer, pessoas chegavam e reclamavam de seus pertences desaparecidos.

Guilherme Lusa: “roubaram meu celular na Aces High (música de abertura) acho, bem no começo. No solo dela eu coloquei a mão no meu bolso e não estava mais lá. Tentaram roubar minha carteira também mais eu fui mais rápido e não deixei”.
Ariel Boldrini: “muito estranho isso. Justamente na Aces High o meu sumiu também. Agora, todos esses celulares sumirem na mesma música, é desumano, ou tinha umas 300 pessoas roubando ou foi a correria que deu assim que a banda começou, quando a galera levantou a mão e começou a pular. Quero o meu E-900 de volta”.
Daniel Mikoski: “não levei quase nada, só ingresso e 15 pila, e me roubaram justo os 15 pila. Nunca vi um rapa tão grande na pedreira. Um amigo perdeu documento do carro, outro a carteira, e outros dois perderam os celulares”.
Gilberto Júnior: “me levaram a identidade e o ingresso que eu ia guardar de lembrança”. Luis Gustavo:”roubaram meu binóculo”. Ana Ronchi: “roubaram minha pulseira e meu relógio”.
O mais curioso é que esse fato não foi abordado pelos jornais. Só o que vi, pelo menos, foram matérias da galera na fila reclamando do sol e gritando feito uns bárbaros, esperando o show começar. Por que será que a mídia não começa a questionar e a se preocupar com esse tipo de caso?

Aline Pavanelli trabalha na RPC na parte de atendimento ao telespectador e comenta o caso: “nós não abordamos essa questão por que não recebemos nenhuma reclamação a respeito desses roubos, nenhum e-mail nem nada, ninguém se manifestou. Se o pessoal tivesse dito na hora com certeza uma matéria a respeito teria sido feita no dia seguinte. Na verdade esse tipo de reclamação é comum nós recebermos, mas somente alguns dias depois do evento já ter ocorrido. Já aconteceu antes. Nesse caso não podemos criar uma notícia em cima disso por que já é assunto passado”.

O que mais ouvi depois foram comentários do tipo: “você tem que ir preparado para um show desse porte” ou, “não leve carteira nem câmera pro show”. E realmente essa é a verdade. Se você não quiser ter nada roubado, não leve coisas que chamem a atenção, por que queiram ou não, esses furtos sempre acontecerão. Cada um é responsável por seus respectivos bens. Quanto a questão da mídia, se ela procurasse escrever coisas diferentes do que costuma escrever (no caso do show, escrever sobre a fila e ansiedade do público), provavelmente a questão da segurança seria melor tratada.

De resto, UP THE IROONNSS \o/

Gays também são notícia.

Por : Gael Gonçalves




Porque matérias que envolvem casos gays não são publicadas na grande mídia? O que acontece? Porque essas matérias só aparecem em sites relacionados ao mundo gay? Em entrevista com Allan Johan e Deco Ribeiro eles comentaram sobre essa falta de espaço nas “grandes” mídias que impedem a comunidade gay de fazer parte das notícias. "Para minimizar esta falta de espaço nos grandes veículos, a Lado A mantém desde 2005 uma coluna diária no Jornal Hora H e desde 2007 uma coluna semanal no Jornal do Estado. Infelizmente somos notícia apenas nas tragédias e é raro uma paridade e destaque positivo para os gays nos telejornais” afirma Allan Johan .

Foto: Ed Freeman

Ainda em relação a abordagem de temáticas gays um depoimento de Deco Ribeiro: "Quanto à questão das matérias não serem publicadas , existe a resposta curta e a longa. A curta é "Porque a imprensa é homofóbica”.

A longa precisa de mais elaboração. “O grande problema da homossexualidade é que ela é uma característica baseada em atos privados, realizados entre quadro paredes (geralmente). Ou seja, não se sabe realmente quem é gay e quem não é - a não ser que a pessoa assuma. Com isso, cria-se um véu de invisibilidade sobre a homossexualidade. E a sociedade, pra não ter que lidar com essas questões de diversidade sexual, sente-se mais confortável fingindo que a homossexualidade não existe - ou pelo menos não existe como algo sério. Ser gay se restringe ao campo das piadas, do jocoso, do bizarro. Daí as Paradas. Elas surgiram pra gerar visibilidade, pra tirar esse véu que tampa os olhos da sociedade e mostrar "Sim, existimos!". Daí as manifestações, os projetos de apoio a GLBTs, etc. Mas isso tudo não é algo simples de se fazer.

Aos olhos da sociedade, é algo que dói.E dói porque a sociedade não foi/está preparada para lidar com este assunto, porque não interessa aos poderosos (e a mídia está ao lado dos poderosos) que o povo saia de seu cativeiro sexual (onde só há dois gêneros, macho e fêmea, definidos biologicamente, e uma orientação sexual apenas: a heterossexual), porque, já dizia Foucault, os discursos de poder têm tudo a ver com os discursos sexuais, dói porque o próprio Sistema Capitalista sabe que uma sociedade que aceita os gays não pode aceitar o machismo, não pode aceitar outras formas de dominação, não pode aceitar que trabalhadores sejam oprimidos e explorados por patrões... e já viu onde isso vai dar ? Então é por isso que os jornais não dão nada. Porque dar visibilidade aos gays é questionar toda a base de poder da sociedade - e isso a mídia, poderosa, não quer” diz Deco.

Foto:Zensui/Laurence Mounton


O site da RPC não se pronunciou sobre o assunto,apenas repassou o meu email.De fato não sei o que houve,mas com isso percebemos a indiferença, por outro lado os dois sites citados aqui foram atenciosos e me responderam de imediato,mas acho que ouvimos o outro lado não é mesmo? Uma pena,pois gostaria de ouvir o que os outros veículos tem a dizer,se é que tem algo a dizer.

Quem quiser saber mais sobre os conflitos,as duvidas,esclarecimento e informação do mundo gay acesse: http://www.revistaladoa.com.br/ e também: http://www.e-jovem.com.br/

Muito obrigado aos entrevistados pela colaboração e pelo esclarecimento.

Frase do Dia:
"Quando eu estava no exército, me deram uma medalha por matar dois homens e me dispensaram por amar um "Leonard P. Matlovich

Uma otima semana a todos e comentem!!!

Os desafios da pauta

Por Felipe Harmata Marinho

Nessa semana, os alunos trabalham com temas que a mídia não costuma abordar. A idéia é buscar um olhar diferenciado na construção da notícia. Depois, os estudantes conversam com jornalistas para descobrir porque eles não pautam tais temas.

quinta-feira, 6 de março de 2008

Quando a violência vira rotina

Por Rodrigo Bortot

As primeiras coberturas de Polícia surgiram em meados do século XIX, nos jornais sensacionalistas da Inglaterra e dos Estados Unidos. Hoje vemos que a inserção na profissão de jornalista nesta área, via de regra, se dá “por acaso”. A atuação do repórter policial é tida como um “desafio”, pois além do medo, a adrenalina em cobrir fatos sociais na maioria das vezes perigosos serve como um “divisor de águas”. Um verdadeiro “teste de fogo”

As pautas são as mais diversas possíveis como: assassinatos, assaltos, furtos, seqüestros, tráfico de drogas, apreensões, desvios de dinheiro e outros crimes; prisões, fugas, rebeliões, além de todo tipo de irregularidade. Há de se destacar aqui a coragem com que esses profissionais enfrentam no dia-a-dia as situações mais adversas. Além disso, são eles os responsáveis pelo detalhamento de informações sobre os casos mais intrigantes. Reside ai a importância deste profissional em nossa sociedade, pois o leitor por mais interesse que tenha na matéria não vai de forma alguma buscar informações diretas, seja pelo fato que muitas vezes é chocante ou pelo medo.

Um dos ícones do jornalismo policial, o apresentador Datena, em palestra recentemente realizada na Universidade Paulista (Unip) concordou que o jornalismo policial e sensacionalista deve ser extinto. A discussão atual, porém, é que as pessoas acreditam que isso atenuaria os índices de violência. “A violência não está nos programas policiais, está nas ruas. Tirar os programas do ar não vai resolver o problema”, afirma.

Hoje os programas policiais reforçam o preconceito principalmente porque servem apenas para fomentar o medo nas pessoas. São programas baseados em informações incompletas, dados falsos e condena pessoas que não têm chance de se defender perante as câmeras. O dever da imprensa é apontar erros e mostrar soluções e não fazer teatro. Nesses programas não existem abordagens sérias e sim dramas pessoais. A exposição da violência só agrava o quadro social.

Podemos notar hoje que violência para a mídia nada mais é que uma mercadoria valiosa. Quanto mais alarmante e chocante for ela maior será o interesse público e consequentemente o efeito econômico. Essa cultura da violência é explorada muito mais para provocar curiosidade nas pessoas do que para informar ou gerar discussões sobre os caminhos a qual a sociedade se dirige.

Reportagens como as que vemos diariamente feitas sem compromisso trazem a sociedade problemas graves como à banalização da violência e a suscitação do medo. Além disso, a maioria das reportagens está atrelada a pessoas de classes muito baixas o que reforça o preconceito e a discriminação. A violência é um fato jornalístico e deve ser divulgado como tal e não como um “shownarlismo”.

Para a jornalista Patrícia Cavallari, o sensacionalismo é inegável, mas é importante destacarmos que o jornal tem obrigação de levar a população o que realmente acontece na cidade. “Nosso dever é mostrar a todos que não vivemos em uma sociedade de “flores”. Entendo que algumas pessoas condenem capas chamativas com corpos ensangüentados e manchetes provocantes, mas o que dizer de outros jornais que preferem mostrar uma cidade inexistente onde alguns adotam discursos venerando a cidade e a apontando como a “capital européia” brasileira”, relembra.

“O que talvez seja errado é a forma como o assunto e as matérias são abordadas. A violência faz parte do nosso cotidiano e não retratá-la é uma forma de alienar e enganar não só os outros, mas a nós mesmos” finaliza.


Pra quem se interessar jornalismo policial.

http://www.comuniquese.com.br/conteudo/arquivos_downloads/Manual_do_Reporter_de_Policia.pdf

Pedofilia é mais sério do que você imagina.

Por: Juliana Antunes

Abusar sexualmente de crianças e adolescentes é crime, previsto no artigo 227 da Constituição Federal. Casos de pedofilia na Internet crescem de maneira desenfreada. A sensação de impunidade faz com que os criminosos ajam sem restrições. No maior site de relacionamentos do mundo, o orkut, casos de abuso e exploração sexual de menores são diariamente denunciados a administradora do site. Mesmo assim poucos casos são levados adiante.

Nesta última terça-feira (4) foi lido um requerimento para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) onde os casos de pedofilia na internet e a possível relação desses casos com o crime organizado serão analisados. A CPI irá basear-se principalmente nos resultados da operação Carrossel, organizada pela Polícia Federal. Está operação foi feita no final de 2007, quando cerca de 400 policiais federais cumpriram cem mandados de busca e apreensão em mais de 50 cidades em 14 estados e no Distrito Federal.

Estudo recentemente publicado e divulgado pelo FBI, mostra que os criminosos usam uma série de símbolos para se comunicarem. Estes símbolos são sempre formados por dois semelhantes, um dentro do outro. Na qual a forma maior identifica o adulto e a menor a criança, corações representam mulheres e homens são triângulos. A diferença de tamanhos entre eles demonstra a preferência do pedófilo por crianças maiores ou menores.

Hoje a principal missão da Campanha Nacional de Combate à Pedofilia na Internet é a conscientização não só dos internautas, mas também da sociedade, principalmente sobre a situação preocupante que se encontram as crianças. Se os familiares destas não tomarem os devidos cuidados em preservá-las, as mesmas correram o risco real de serem as próximas vítimas desses marginais que estão prontos para a abordagem. Crianças essas que são raptadas para contracenarem em cenas sádicas e infames. Mas a Campanha também quer alertar que o explorador pode estar do seu lado. Por isso, quem denuncia SALVA, fique de olho!


Arquivo em PDF sobre o estudo realizado pelo FBI.
https://secure.wikileaks.org/leak/FBI-pedophile-symbols.pdf