Por Ânderson Mendes
Ao procurar a palavra imagem, no dicionário por Silveira Bueno, a definição de imagem é a representação de um objeto pelo desenho, pintura, escultura, etc.; pode ser uma pequena estampa que representa um assunto religioso; figura, comparação, semelhança; e que a realidade óptica é aquela que se forma pela convergência de raios que passaram através de dito dispositivo formador de imagens e pode ser projetada.
Já a definição de fotografia, pelo mesmo autor seria o retrato; processo de fixar numa chapa sensível, por meio de luz, a imagem dos objetos colocados diante de uma câmara escura dotada de um dispositivo óptico; cópia fiel; reprodução exata.
Oscar Wilde, já dizia em seus textos que definir é limitar. Mas, ao provocar em seus textos poéticos, alongadas idéias que se assemelham a vida real, a linguagem do autor ainda se encontra viva nos dias de hoje por muitos estudiosos e leitores, e deixa livre o ambicioso entendimento individual. A comparação entre o textual e o visual pode ser lúdica, mas ambas tem algo em comum no contexto histórico.
Mas essa vontade individual de entender o processo de linguagem visual do ser humano, nos últimos anos tem feito o homem adquirir novos olhares ao processo de conceber resultado. As tecnologias proporcionaram isso oferecendo recursos inimagináveis ao juntar cores, projetar espaços, assemelhar diâmetros e criaram-se instrumentos que tentasse espelhar a realidade humana. Mas, no comum, a imagem fotográfica há muito tempo não deixou e nem deixará de representar todo um sentimento de realidade em suas técnicas inovadoras.
Mundialmente conhecido, o fotógrafo Eadweard Muybridge, de 1860, exerceu um trabalho fundamental para a sociedade, e questionado por um ex-governador da Califórnia, comprovou que um cavalo poderia ficar suspenso no ar mesmo que fosse por um segundo num registro de fotografia sobre a gravidade. A aparelhagem fotográfica utilizada por Muybridge em 1872, certamente foi um obstáculo tecnológico comparado às inovações de hoje.

O tempo na fotografia é muito próximo do zero, mas foi capaz de prender a respiração de pessoas que viram aquele cavalo suspenso na foto, e isso foi se repetindo em diferentes formas ao passar dos tempos, e foi vivenciada pelo cinema mais tarde.
Naturalmente, uma imagem de pintura, escultura, foto ou filme podem provocar uma emoção positiva e negativa, guardar para sempre o que se vive num estágio da vida, somando experiências de toda uma vida humana. E no modernismo da imagem fotográfica, a presença da tecnologia, novamente, afirma a necessidade do homem em converter suas técnicas inovadoras em criar novos olhares através de um instrumento.
Na realidade contemporânea, a fotografia ainda discutida, mesmo que dissolvida em meios visuais de filmes e outros, continua exercendo uma linguagem carregada de significados. Hoje, qualquer pessoa pode fotografar, viver da fotografia, ou usá-la como diversão, trabalhando-a do modo como queira representá-la. Isto, talvez tenha feito com que os fotógrafos procurassem novos olhares. Mas qual é o olhar quando tudo pode ser empiricamente fotografado?
O fotojornalismo também evidencia essa questão, repórteres fotográficos buscam o que é diferente da sua realidade. Cobrir uma guerra, arriscar a vida na África, ou entrar numa favela na hora do tiroteio trouxe ao profissional a melhor alternativa para dar continuidade ao processo visual que textos jornalísticos necessitam na mídia. Mostrar uma imagem é praticamente responder todo um questionamento, e no dizer popular, uma imagem pode valer mil palavras, mas será essa a realidade? Para quais emoções o ser humano estar atento, e o que ele quer enxergar?
Sebastião Salgado, fotógrafo profissional brasileiro reconhecido internacionalmente por desempenhar papeis fundamentais na fotografia, mostrou a realidade do trabalho, e da África em sua pobreza absoluta. São imagens reais que ficam guardadas na história e ao mesmo tempo exposta é viva de emoções. Na imaginação das pessoas a memorável luta pela sobrevivência é a visão do autor da foto. No olhar do fotógrafo, o que ele questiona ao ver a realidade? Talvez ele sinta, ou apenas utiliza a técnica. A fotografia por muitos passou a ser algo natural agregado aos dias de vida.
Como separar os dois temas é algo que ainda se discuti. Talvez o lado profissional de fotografar esteja ligado ao pessoal. A morte de Kevin Carter despertou afundo esse o problema vivenciado na profissão, o diferente se torna mais desigual quando a olho nu uma realidade é vivenciada. Quando se fala em fotografia, todo o conjunto participa, o “eu” fotografo, e “ela” fotografada. O que o fotógrafo quer representar abri um caminho de novos questionamentos, estes que devem ser mostrados.

Greg Marinovich sofreu um atentado na África do Sul.
Kevin se matou por pressão da própria profissão ao fotografar uma criança que morria de fome, e no enquadramento da foto um urubú estava para devorá-la. Até que ponto a imagem pode julgar o profissional que a representa? A imagem é a representação da vida, nela se enquadra vários ângulos sobre o ato da experiência humana. O que aconteceria se uma foto dessa nunca viesse às manchetes? Sob várias tomadas podem definí-la.
Esse bem humano carregado de definições individuais são emoções, linguagem visual que por ser tão comum nos dias de hoje fazem-nos estudá-las com mais ou menos acuidade, não tão livres de mentiras, ou suposições. Mas que buscam compreender uma visão na razão.