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quinta-feira, 29 de maio de 2008

Um olhar, vários olhares

Por: Juliana Antunes

Esses dias lendo o jornal da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), a edição especial de março, só com nomes consagrados do fotojornalismo, deparei-me com o pensamento que alguns têm diante de certas cenas. O horrível é constrangedor, o belo é fascinante. Desde pequeno aprendemos que certas coisas são boas e outras nem tanto. Mas, pois bem, após quase três anos cursando jornalismo, posso dizer que as coisas não me encantam só pelo o que elas aparentam apresentar, mas sim pelo o que elas me fazem pensar. Voltando ao jornal da ABI, me surpreendi com as fotos de Márcia Foletto, posso dizer que além de oportunismo e coragem, não é fácil ser fotojornalista. Já diziam que a foto eterniza o momento, e é bem isso que sinto ao ver as fotos de Márcia. Uma foto tirada por Márcia que faz a gente refletir o valor da nossa profissão, é a “trem-bala”, quando o trem, repleto de autoridades, cruzava a favela do Jacarezinho (RJ), traficantes atiraram nos vagões, e então a fotojornalista teve dois pensamentos; por primeiro pensou em se proteger e em segundo em registrar o momento. Não é toa que esta foto ganhou dois prêmios e foi eleita a melhor de 2007 do jornal O Globo.
Somos humanos, temos sentimentos, e coração. É impossível prever qual seria a reação perante a um fato desses. Posso dizer que tiraria a foto, exerceria meu papel como jornalista, mas e na hora? Na hora, é diferente. Até hoje não passei por nenhuma situação semelhante, então não saberia qual possivelmente seria minha reação. Agora ao olhar a foto de Kevin Carter, posso dizer que não houve frieza da parte do fotógrafo, pois captar todo sofrimento através das lentes de uma câmera fotográfica acho que não uma das coisas mais fáceis de fazer. Sem sobra de dúvidas é chocante observar uma foto dessas e se perguntar o por que. O porquê ele tirou a foto, e por que não ajudou? Kevin Carter poderia estar “acostumado” com essas cenas, por conviver em um ambiente de guerra. Alias sempre haverá uma incógnita sobre esta foto que percorre o mundo. Nunca saberemos ao certo qual foi a intenção de Carter, e qual seria nossa reação.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Decisão difícil, ou nem tanto


Para a maioria das pessoas tirar ou não esta foto é ume decisão difícil, alguns julgam o ato de fotografar pessoas em situações desumanas, deprimentes, é um ato imoral, frio.. eu sinceramente não penso assim. Diversas vezes me deparo com cenas tristes e penso ' nossa isso merecia uma foto', não pela beleza da fotografia, e sim pela mensagem, pela sensação que a imagem causaria nas pessoas, quem sabe vendo coisas como essa algumas pessoas passem a dar valor a coisas mais simples, a respeitar mais o ser humano, e não passar diante de um mendigo, como se ele não existisse.
Se eu judaria a criança? é lógico que sim ! mas acredito que se fosse possível qualquer um ajudaria!

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Urubus e fotógrafos

Por Eder Elias Jr.

É impresionante como o "trabalho" do urubu é muito parecido com o trabalho de um repórter fotografico, ou não. Os dois se alimentam da desgraça alheia. Essa atitude antropofágica destes dois trabalhadores é fundamental para a sobrevivência do resto da humanidade, que não compactua da mesma infeliz realidade destes desprovidos de comida e sorte. Pois, sem a apetite voraz do urubu se nutrindo da carne podre de animais ou seres humanos mortos, todos os seres vivos deste planeta seriam dizimados com a diseminação de inúmeras doenças. Enquanto a faca do editor sempre muito próxima do pescoço do repórter exigindo diariamente novas imagens e fatos a serem divulgados pela midia, conscientiza a humanidade de uma realidade que precisa ser mudada pois esta cada vez pior e, quem sabe, não seremos suas futuras vítimas. A miséria africana. Portanto, benditos sejam todos os urubus e fotógrafos deste planetinha em que vivemos.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Clicar ou não clicar, eis a questão?!


Por Gisleine Moreira

Então, está semana a proposta é analisar de forma ética uma foto tirada em 1993. E como base para redigir o texto, a pergunta: o que você faria no lugar de Kevin Carter? A foto em questão ganhou o prêmio Pulitzer. Mas eu duvido muito que no momento do clique ele tenha pensado no glamour. A foto é um registro histórico e isso é um fato, chocou, comoveu na época e ainda hoje gera muitas polêmicas.

Muitos ligaram para os jornais que publicaram a foto tão polêmica, reclamaram, espernearam, a pergunta ecoava, o que aconteceu com a menina? Eu tenho cá minhas duvidas se aquela pequena guriazinha ainda estava viva no momento do clique e mesmo se tivesse será que ela se salvaria, provavelmente ela já não tinha mais forças para reagir.

Então tirar ou não tirar? Eis a questão! Falando friamente hoje, no lugar de Carter provavelmente eu fotografaria sim!!!! Simplesmente pelo registro histórico ou pela necessidade de vender, para colocar dinheiro dentro de casa. Falar que não, seria de grande hipocrisia da minha parte. Vivemos em uma sociedade capitalista onde sobrevive o mais forte, onde a lei da selva é mais cruel do que na própria selva.

Mas falar para você leitor, se eu a ajudaria ou não, é humanamente impossível. Porque só no momento você sabe o que vai fazer. Ainda mais em uma cobertura de guerra onde a situação é tão delicada. Cada um reage conforme a situação que é submetido. Eu poderia dizer milhões de coisas aqui, que ajudaria, espantaria o urubu, mais a verdade é que eu não sei.

A situação da foto é tão surreal para nós que nunca vivemos a guerra, nem como jornalistas ou espectador de um povo. Imagina a situação do Carter que além de viver todos os horrores da guerra dos dois lados, ainda viveu a pressão ética de uma sociedade moralista, que fala, fala, e não faz nada.

O cerne da questão toda é a criança, pois inúmeras fotos do gênero foram tiradas. Mais quando se trata de crianças a sociedade é cruel com quem retrata a realidade ou faz algum mal para os pequeninos que são vistos como o futuro (vide caso Nardoni).

Parafraseado Sócrates “Só sei que nada sei”.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Guerra é uma missão e espera julgamento


Por Sheila Gorski


Guerra. Mortos, sangue, tiros, facas, bombas, lágrimas, gritos, urros. Os pesadelos estendem-se durante o dia. A racionalidade da guerra compromete a saúde mental. A racionalidade da guerra é irracional.
Missão. Conferir, ir, voltar, perguntar, correr, fotografar. A maquina fotográfica é armadura para o sofrimento. As balas do fotógrafo são flashs.
Sudão, 1993. Kevin Carter, 33, fotógrafo, sul africano. Fome, miséria, guerra. Criança, urubu. Esse é o cenário da foto consagrada de Carter. Nela, um abutre observa uma criança faminta como quem espera alimento. A foto lhe rendeu neste ano o prêmio Pulitzer, o mais importante do jornalismo americano.
Espera. 20 minutos. O pouso, a criança sem forças para chegar ao abrigo da ONU, o aperto do botão da máquina. Disparo. Esse é contra o sangue, tiros, facas, bombas, lágrimas, gritos, urros, fome, miséria. Guerra.
Julgar. Se eu fosse para a guerra eu entenderia o fotógrafo predador esperando cumprir sua missão. Esperando como o urubu algo que faça valer a pena todos os pesadelos sem fim.
Guerra é outra coisa.
“Shimamoto chegou-se a mim, puxou violentamente a minha cabeça para o seu peito – numa posição em que eu não mais podia ver a perna esquerda – e, chorando, beijava seguidamente os meus cabelos:
- José, oh José, oh José, como é que foi acontecer isso?
Uma idéia veio-me então bem nítida:
-Vou morrer!”.
Esse é um trecho do livro Repórter do Século de José Hamilton Ribeiro, jornalista herói de guerra brasileiro, que perdeu sua perna esquerda numa mina em 1968, durante a guerra do Vietnã.
Morte. Auge, depressão, carta, carro, monóxido de carbono. Cada um paga um preço na guerra. Esse foi o de Carter.
Carter morreu. A guerra continua. A foto se eternizou. A fome não acabou. Mas sua missão pontual foi cumprida.

“Eu estou depressivo… sem telefone… dinheiro para o aluguel… dinheiro para o sustento de criança… dinheiro para dívidas… dinheiro!!!… Eu estou sendo perseguido pela viva memória de matanças, cadáveres, cólera e dor… pela criança faminta ou ferida… pelos homens loucos com o dedo no gatilho, muitas vezes policial, assassinos…”

Trecho de sua carta de suicídio

O Fotojornalista e a criança

Por: Graziela Fiorillo


Uma criança, um urubu e um cenário de guerra que doe o estômago. Sudão 1993, um confronto entre a SPLA (Guerrilha pela libertação do povo Sudanês) e o governo Islâmico mata mais de 600 mil pessoas de fome. Cada vez que vejo essa foto me pergunto: O que passa na cabeça de um fotojornalista neste momento? A obrigação de mostrar ao mundo o que ocorre ali naquela guerra; Retratar com ousadia a dor de um povo.

Kevin Carter, fotojornalista sul-africano responsável pela foto, esperou vinte minutos até que o urubu enquadra-se em sua lente, no seu ângulo. O ato que deu origem a uma foto premiada pelo The New York Times, perdeu seu valor a partir do momento em que ele deu as costas para a menina. Será que sua vida foi à mesma depois disso?

Não! Aos que perguntaram o que aconteceu com a criança ele respondia que não sabia, pois não era de sua alçada naquele momento salvar vidas. Porém atormentado pelos próprios fantasmas e sua falha na ação humanitária, suicidou-se meses depois.

Refletindo sobre este situação e como fotografa profissional acredito que não tiraria esta foto. Esperar vinte minutos o agonizar de uma criança, que se arrastava para chegar num posto de alimentação da ONU a 1000 metros dali. Nenhuma glória da fotografia do ano, prêmio ou dinheiro, paga ajudar o próximo. Naquele momento muitas pessoas deveriam estar na mesma situação que a criança, porém seria melhor poder andar de cabeça erguida e dormir em Paz, sabendo que fez sua parte. Kevin Carter errou ao não ajudar aquela menina.

O repórter fotográfico tem que antes de tudo ter ética e caráter. Você pode impressionar o mundo com fotos que retratem uma guerra. Não precisa necessariamente passar por uma situação destas para alcançar um sucesso profissional. Vide Sebastião Salgado.

Para saber mais sobre o fotografo Kevin Carter, a fotografia e a guerra do Sudão entre no site studium da Unicamp:
http://www.studium.iar.unicamp.br/13/2.html?studium=index.html

E para maiores informações sobre Sebastião Salgado entre no site:
http://www.terra.com.br/sebastiaosalgado/

A fotografia como instrumento da emoção

Por Ânderson Mendes

Ao procurar a palavra imagem, no dicionário por Silveira Bueno, a definição de imagem é a representação de um objeto pelo desenho, pintura, escultura, etc.; pode ser uma pequena estampa que representa um assunto religioso; figura, comparação, semelhança; e que a realidade óptica é aquela que se forma pela convergência de raios que passaram através de dito dispositivo formador de imagens e pode ser projetada.

Já a definição de fotografia, pelo mesmo autor seria o retrato; processo de fixar numa chapa sensível, por meio de luz, a imagem dos objetos colocados diante de uma câmara escura dotada de um dispositivo óptico; cópia fiel; reprodução exata.

Oscar Wilde, já dizia em seus textos que definir é limitar. Mas, ao provocar em seus textos poéticos, alongadas idéias que se assemelham a vida real, a linguagem do autor ainda se encontra viva nos dias de hoje por muitos estudiosos e leitores, e deixa livre o ambicioso entendimento individual. A comparação entre o textual e o visual pode ser lúdica, mas ambas tem algo em comum no contexto histórico.

Mas essa vontade individual de entender o processo de linguagem visual do ser humano, nos últimos anos tem feito o homem adquirir novos olhares ao processo de conceber resultado. As tecnologias proporcionaram isso oferecendo recursos inimagináveis ao juntar cores, projetar espaços, assemelhar diâmetros e criaram-se instrumentos que tentasse espelhar a realidade humana. Mas, no comum, a imagem fotográfica há muito tempo não deixou e nem deixará de representar todo um sentimento de realidade em suas técnicas inovadoras.

Mundialmente conhecido, o fotógrafo Eadweard Muybridge, de 1860, exerceu um trabalho fundamental para a sociedade, e questionado por um ex-governador da Califórnia, comprovou que um cavalo poderia ficar suspenso no ar mesmo que fosse por um segundo num registro de fotografia sobre a gravidade. A aparelhagem fotográfica utilizada por Muybridge em 1872, certamente foi um obstáculo tecnológico comparado às inovações de hoje.

O tempo na fotografia é muito próximo do zero, mas foi capaz de prender a respiração de pessoas que viram aquele cavalo suspenso na foto, e isso foi se repetindo em diferentes formas ao passar dos tempos, e foi vivenciada pelo cinema mais tarde.

Naturalmente, uma imagem de pintura, escultura, foto ou filme podem provocar uma emoção positiva e negativa, guardar para sempre o que se vive num estágio da vida, somando experiências de toda uma vida humana. E no modernismo da imagem fotográfica, a presença da tecnologia, novamente, afirma a necessidade do homem em converter suas técnicas inovadoras em criar novos olhares através de um instrumento.

Na realidade contemporânea, a fotografia ainda discutida, mesmo que dissolvida em meios visuais de filmes e outros, continua exercendo uma linguagem carregada de significados. Hoje, qualquer pessoa pode fotografar, viver da fotografia, ou usá-la como diversão, trabalhando-a do modo como queira representá-la. Isto, talvez tenha feito com que os fotógrafos procurassem novos olhares. Mas qual é o olhar quando tudo pode ser empiricamente fotografado?

O fotojornalismo também evidencia essa questão, repórteres fotográficos buscam o que é diferente da sua realidade. Cobrir uma guerra, arriscar a vida na África, ou entrar numa favela na hora do tiroteio trouxe ao profissional a melhor alternativa para dar continuidade ao processo visual que textos jornalísticos necessitam na mídia. Mostrar uma imagem é praticamente responder todo um questionamento, e no dizer popular, uma imagem pode valer mil palavras, mas será essa a realidade? Para quais emoções o ser humano estar atento, e o que ele quer enxergar?

Sebastião Salgado, fotógrafo profissional brasileiro reconhecido internacionalmente por desempenhar papeis fundamentais na fotografia, mostrou a realidade do trabalho, e da África em sua pobreza absoluta. São imagens reais que ficam guardadas na história e ao mesmo tempo exposta é viva de emoções. Na imaginação das pessoas a memorável luta pela sobrevivência é a visão do autor da foto. No olhar do fotógrafo, o que ele questiona ao ver a realidade? Talvez ele sinta, ou apenas utiliza a técnica. A fotografia por muitos passou a ser algo natural agregado aos dias de vida.

Como separar os dois temas é algo que ainda se discuti. Talvez o lado profissional de fotografar esteja ligado ao pessoal. A morte de Kevin Carter despertou afundo esse o problema vivenciado na profissão, o diferente se torna mais desigual quando a olho nu uma realidade é vivenciada. Quando se fala em fotografia, todo o conjunto participa, o “eu” fotografo, e “ela” fotografada. O que o fotógrafo quer representar abri um caminho de novos questionamentos, estes que devem ser mostrados.

Greg Marinovich sofreu um atentado na África do Sul.

Kevin se matou por pressão da própria profissão ao fotografar uma criança que morria de fome, e no enquadramento da foto um urubú estava para devorá-la. Até que ponto a imagem pode julgar o profissional que a representa? A imagem é a representação da vida, nela se enquadra vários ângulos sobre o ato da experiência humana. O que aconteceria se uma foto dessa nunca viesse às manchetes? Sob várias tomadas podem definí-la.

Esse bem humano carregado de definições individuais são emoções, linguagem visual que por ser tão comum nos dias de hoje fazem-nos estudá-las com mais ou menos acuidade, não tão livres de mentiras, ou suposições. Mas que buscam compreender uma visão na razão.