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quinta-feira, 6 de março de 2008

Quando a violência vira rotina

Por Rodrigo Bortot

As primeiras coberturas de Polícia surgiram em meados do século XIX, nos jornais sensacionalistas da Inglaterra e dos Estados Unidos. Hoje vemos que a inserção na profissão de jornalista nesta área, via de regra, se dá “por acaso”. A atuação do repórter policial é tida como um “desafio”, pois além do medo, a adrenalina em cobrir fatos sociais na maioria das vezes perigosos serve como um “divisor de águas”. Um verdadeiro “teste de fogo”

As pautas são as mais diversas possíveis como: assassinatos, assaltos, furtos, seqüestros, tráfico de drogas, apreensões, desvios de dinheiro e outros crimes; prisões, fugas, rebeliões, além de todo tipo de irregularidade. Há de se destacar aqui a coragem com que esses profissionais enfrentam no dia-a-dia as situações mais adversas. Além disso, são eles os responsáveis pelo detalhamento de informações sobre os casos mais intrigantes. Reside ai a importância deste profissional em nossa sociedade, pois o leitor por mais interesse que tenha na matéria não vai de forma alguma buscar informações diretas, seja pelo fato que muitas vezes é chocante ou pelo medo.

Um dos ícones do jornalismo policial, o apresentador Datena, em palestra recentemente realizada na Universidade Paulista (Unip) concordou que o jornalismo policial e sensacionalista deve ser extinto. A discussão atual, porém, é que as pessoas acreditam que isso atenuaria os índices de violência. “A violência não está nos programas policiais, está nas ruas. Tirar os programas do ar não vai resolver o problema”, afirma.

Hoje os programas policiais reforçam o preconceito principalmente porque servem apenas para fomentar o medo nas pessoas. São programas baseados em informações incompletas, dados falsos e condena pessoas que não têm chance de se defender perante as câmeras. O dever da imprensa é apontar erros e mostrar soluções e não fazer teatro. Nesses programas não existem abordagens sérias e sim dramas pessoais. A exposição da violência só agrava o quadro social.

Podemos notar hoje que violência para a mídia nada mais é que uma mercadoria valiosa. Quanto mais alarmante e chocante for ela maior será o interesse público e consequentemente o efeito econômico. Essa cultura da violência é explorada muito mais para provocar curiosidade nas pessoas do que para informar ou gerar discussões sobre os caminhos a qual a sociedade se dirige.

Reportagens como as que vemos diariamente feitas sem compromisso trazem a sociedade problemas graves como à banalização da violência e a suscitação do medo. Além disso, a maioria das reportagens está atrelada a pessoas de classes muito baixas o que reforça o preconceito e a discriminação. A violência é um fato jornalístico e deve ser divulgado como tal e não como um “shownarlismo”.

Para a jornalista Patrícia Cavallari, o sensacionalismo é inegável, mas é importante destacarmos que o jornal tem obrigação de levar a população o que realmente acontece na cidade. “Nosso dever é mostrar a todos que não vivemos em uma sociedade de “flores”. Entendo que algumas pessoas condenem capas chamativas com corpos ensangüentados e manchetes provocantes, mas o que dizer de outros jornais que preferem mostrar uma cidade inexistente onde alguns adotam discursos venerando a cidade e a apontando como a “capital européia” brasileira”, relembra.

“O que talvez seja errado é a forma como o assunto e as matérias são abordadas. A violência faz parte do nosso cotidiano e não retratá-la é uma forma de alienar e enganar não só os outros, mas a nós mesmos” finaliza.


Pra quem se interessar jornalismo policial.

http://www.comuniquese.com.br/conteudo/arquivos_downloads/Manual_do_Reporter_de_Policia.pdf

Pedofilia é mais sério do que você imagina.

Por: Juliana Antunes

Abusar sexualmente de crianças e adolescentes é crime, previsto no artigo 227 da Constituição Federal. Casos de pedofilia na Internet crescem de maneira desenfreada. A sensação de impunidade faz com que os criminosos ajam sem restrições. No maior site de relacionamentos do mundo, o orkut, casos de abuso e exploração sexual de menores são diariamente denunciados a administradora do site. Mesmo assim poucos casos são levados adiante.

Nesta última terça-feira (4) foi lido um requerimento para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) onde os casos de pedofilia na internet e a possível relação desses casos com o crime organizado serão analisados. A CPI irá basear-se principalmente nos resultados da operação Carrossel, organizada pela Polícia Federal. Está operação foi feita no final de 2007, quando cerca de 400 policiais federais cumpriram cem mandados de busca e apreensão em mais de 50 cidades em 14 estados e no Distrito Federal.

Estudo recentemente publicado e divulgado pelo FBI, mostra que os criminosos usam uma série de símbolos para se comunicarem. Estes símbolos são sempre formados por dois semelhantes, um dentro do outro. Na qual a forma maior identifica o adulto e a menor a criança, corações representam mulheres e homens são triângulos. A diferença de tamanhos entre eles demonstra a preferência do pedófilo por crianças maiores ou menores.

Hoje a principal missão da Campanha Nacional de Combate à Pedofilia na Internet é a conscientização não só dos internautas, mas também da sociedade, principalmente sobre a situação preocupante que se encontram as crianças. Se os familiares destas não tomarem os devidos cuidados em preservá-las, as mesmas correram o risco real de serem as próximas vítimas desses marginais que estão prontos para a abordagem. Crianças essas que são raptadas para contracenarem em cenas sádicas e infames. Mas a Campanha também quer alertar que o explorador pode estar do seu lado. Por isso, quem denuncia SALVA, fique de olho!


Arquivo em PDF sobre o estudo realizado pelo FBI.
https://secure.wikileaks.org/leak/FBI-pedophile-symbols.pdf

terça-feira, 4 de março de 2008

ROTINA DE UM AGENTE PENITENCIÁRIO EM 15 MINUTOS

Por: João Pedro


José Silva (nome fictício), é estudante de Direito, servidor público do setor de Segurança Pública do Estado do Paraná e atua como agente penitenciário no Centro de Detenção e Ressocialização de Piraquara há 5 anos.
Em uma breve entrevista, gentilmente concedida, durante 15 minutos de um de seus intervalos, o agente público fala um pouco de sua rotina profissional e de situações que marcaram, de certa forma, a sua profissão.

João Pedro: Como é organizado o sistema de trabalho dos agentes penitenciários?

José Silva: A equipe toda de agentes é dividida por quatro turnos, sendo 12 horas de trabalho para 36 horas de descanso.

JP: Como é a sua rotina de trabalho? Como se organizam?

JS: Quando há troca de turno, o turno que vai assumir o posto se reúne no refeitório, onde serão lidas as escalas previamente estabelecidas por nossos superiores. Dentro do presídio é como uma fábrica, existem vários setores e há um revezamento nestes setores por dia de trabalho. Sendo assim, a cada dia estamos em um setor diferente e só sabemos qual será o próximo setor no mesmo dia, quando a reunião acontece.

JP: Qual desses setores exige mais atenção e cuidado dos agentes?

JS: O setor que exige mais cuidado e atenção é, sem dúvidas, aquele que chamamos de “movimento”. Pois, esse é o setor mais operacional em que atuamos: é onde você é o responsável pelo deslocamento do preso dentro da unidade; da cadeia aos setores técnicos como: setor jurídico, enfermaria, entre outros como o DISED (Divisão de Segurança e Disciplina) – que é pra onde levamos os presos chamados de “cagüetas”.

JP: Em situações de briga entre os detentos, qual é a ordem?

JS: Se tiver briga entre os presos a ordem é expressa: isolar e conter. Porém depende muito do espaço físico em que ocorre a situação. Se os presos estiverem entre “quadrantes” (entenda isso como portas), nós travamos as portas e deixamos os presos que estão envolvidos na ocasião isolados. Depois, removemos aqueles que não estão envolvidos e, logo em seguida, fazemos a intervenção contendo o tumulto.

JP: Qual foi a ocasião que mais te marcou ao exercício de sua profissão?

JS: Houve um fato que me fez pensar e desacreditar na capacidade de fazer e se submeter à certas coisas que o ser humano tem. Pelo pouco que já conversamos, você deve ter percebido que dentro do presídio há um linguajar bem diferente daquele que costumamos ouvir e dizer no dia-a-dia, para tudo lá dentro há uma gíria, um termo específico para certas coisas. Uma dessas gírias é o “cofre”. O preso que é conhecido como “cofre” é aquele que esconde objetos (que são terminantemente proibidos de entrar no presídio) dentro do próprio corpo, através de um orifício que você já deve imaginar qual seja.

JP: Existe algum meio de saber quando os presidiários estão preparando um motim?

JS: Sim, existe. O caso mais clássico é quando um preso, que está jurado de morte, começa a pedir para mudar de ala, ou começa a causar tumulto para ir para o castigo. Pois, ele sabe que no castigo ele fica sozinho, isolado. Então, quando os jurados de morte começam a se manifestar é porque estão preparando alguma rebelião e, desde que entrei, já aconteceu duas vezes. Mas eu estava de folga.

JP: Qual a experiência boa que você consegue tirar da vivência desta relação com presos, em um ambiente difícil como é o CDR?

JS: Bem. Na verdade, você aprende a observar tudo, até porque este é um trabalho que exige muita atenção. Dá pra perceber quando existe intenção de transgredir as regras da unidade penal devido ao olhar e aos simples gestos dos presos. Eles não conseguem mais firmar o olhar em você e as atitudes são muito eufóricas. Além disso, você passa a valorizar muito mais a liberdade e as pessoas que ama e a rezar para que, cada um que ganha retorna à liberdade, não chegue perto destas pessoas que você ama. Pois, não é novidade para ninguém: a ressocialização só existe no nome da instituição que é a penitenciária. Na prática, as coisas são bem diferentes: é tudo lotado, condições precárias e todos os outros problemas que todo mundo já conhece.
Quando as rebeliões explodirem nunca se esqueçam que existem agentes penitenciários que estão defendendo o seu ganha pão.

segunda-feira, 3 de março de 2008

Insegurança no Conjuto Atuba

Por Gisleine Moreira

O Módulo Policial localizado na avenida Jacob Macanha, sempre teve sua utilização esporádica. Mas, coma criação do Projeto Povo, ele foi abandonado de vez. O novo sistema faz com que os policiais circulem pelos bairros de carro ou moto, cada um tem sua rota e área especificada pela central de comando.

Mas a desativação total dos módulos gera muita insegurança para os moradores e comerciantes do bairro conjunto atuba. Pois o local virou uma espécie de “mocó” para “drogaditos” e mictório para os motoristas de ônibus.



Depois do ataque de vandalismo, onde roubaram-se, portas, portões e as louças sanitárias o lugar ganhou uma espécie de “inquilino”, que não se agradou com a presença dessa repórter no local, convidado-a para se retirar.

Os comerciantes da região preferem não comentar sobre o caso, por medo de se indispor com os Policiais Militares. Mas isso não impede que muitos ao redor do módulo contratem seus próprios seguranças, alguns mantém vigilância o dia todo, outros preferem somente em horários críticos como na hora de fechar, por exemplo.

Jornalismo Policial

Por Felipe Harmata Marinho.

Nessa semana, os alunos produzem matérias dentro do formato do jornalismo policial. A proposta é rediscutir o conceito e buscar novas abordagens do estilo.

Curitiba dá pena?

Por Heitor Hayashi

Nesta semana o blog assumiu a tarefa de escrever sobre "Jornalismo Policial". Por isso, achei interessante incluir um texto meu, que saiu no jornal há poucos dias. Nele, questiono a crescente banalização da violência em Curitiba.


Violência

Antigamente, boa parte da primeira página do jornal de segunda-feira era reservada para os resultados do futebol. Mas não era fácil conseguir espaço. Uma vitória com o placar magro, por 1 a 0, era insuficiente para ganhar algum destaque. Só se fosse com um gol de bicicleta. Hoje o Esporte é obrigado a dividir a atenção com outra estatística: o número de mortos a cada fim de semana. E acerto de contas em um bar na periferia já não chama a atenção. É como empate por 0 a 0. Para tentar ganhar o lugar do “gol de letra” estampado na capa é necessário algo muito mais impressionante. No último fim de semana, em Curitiba e região, cerca de 20 pessoas morreram em decorrência da violência. Algumas notas saíram na imprensa, mas já caíram no esquecimento. A tendência é a de que a banalização só aumente. Daqui a pouco, em matéria de violência, somente “goleadas” e “gols de placa” terão espaço nas manchetes. (Gazeta do Povo - 22/02/2008)

A banalização pode ser observada na maneira como os crimes são veiculados pela mídia.



Na edição de domingo (02/03), o Jornal Tribuna do Paraná estampou na capa a manchete de que no primeiro bimestre deste ano, 234 pessoas foram assassinadas em Curitiba e RMC. Surge a dúvida - Quais dessas mortes ganharam destaque na mídia? Por quê é preciso chegar a um número tão alto para começar a gerar reflexões?

Quando os crimes viram estatística as vítimas são relegadas ao anonimato. E uma análise sobre as ocorrências policiais no final de semana pode dizer algo.



Na sexta-feira (29/02), houve um tiroteio entre gangues na Vila Torres, fato registrado na capa da Tribuna de sábado. Mas a Gazeta, na capa do mesmo dia, preferiu mostrar um assassinato com 80 tiros no Rio de Janeiro. (Imagem ao lado)
Ou seja, o acerto de contas na Vila Osternack e o viciado em Crack morto na Vila Zumbi foram esquecidos. Qual dos crimes interessa mais ao Paraná? Existe alguma conspiração motivada a não estragar a imagem de Curitiba?



O jornalista Gilberto Dimenstein publicou um texto em que demonstra o mesmo estranhamento diante dos números. Diz que a capital paranense sofre de uma epidemia de violência. Confira! (Curitiba da pena! - 06/02/2008)http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/gilbertodimenstein/ult508u370021.shtml



No final de semana, um homem de 20 anos foi assassinado com três tiros, em Campo Magro. Um garoto de 15 anos levou um tiro no pescoço e uma pessoa morreu, em Almirante Tamandaré. Um rapaz de 21 anos foi morto a pedradas, em São José dos Pinhais. Mais quatro pessoas foram baleadas no Seminário, Parolim e Xaxim. Dois viciados foram executados, na Cidade Industrial e no Sítio Cercado. Um jogo de truco terminou com uma morte, em Cerro Azul. Duas pessoas foram assassinadas em um bar, em Piraquara. Cinco pessoas foram baleadas, em Colombo. Três delas morreram. Você ficou sabendo de algum desses casos? A Tribuna publicou, mas será que causou o mínimo de reflexão? Na capa da Gazeta do Povo de segunda (03/03) nem sinal.

Para piorar, o jornalista Marcelo Soares, membro da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo e ex-editor do site Transparência Brasil alerta que em Curitiba existe a lei da mordaça. Como fonte, ele cita uma reportagem que saiu no site da RPC sobre a proibição de o Instituto Médico Legal do Paraná informar sobre os homicídios ocorridos no Estado.
Também questiona se o fato tem algo a ver com o ano eleitoral.
É bom os jornalistas darem uma olhada.
O interessante é que a discussão foi levantada por profissionais que atuam no eixo Rio-São Paulo. Se eles se assustam, como é que a mídia paranense, as instituições e a sociedade conseguem viver nesse perigoso marasmo? Parece que, por aqui, crime é somente aquilo que atinge da classe média para cima. Ou tem alguém que não ficou chocado com o caso da universitária Ana Cláudia Caron? Esse todos conhecem, não é mesmo?